Contextualizando o Evangelho – A Igreja

Há algum tempo me incomodo com algo na maior parte das igrejas dos nossos dias: parece que elas não são igrejas de 2009, o ano em que vivemos. Parece muitas vezes que vieram do século 18 e aterrissaram em todas as esquinas, sem sabermos qual a máquina do tempo utilizada para trazê-las. O problema é sério, vivemos no século 21 e mesmo assim cremos que não se deve buscar inovação para o ambiente “sacro”.

Ao meu ver, isso vem da noção que quanto mais antigo e formal for o culto, a música, a vestimenta, o ambiente e todo o resto, mais santos seremos. Pensamos que, para fazer igreja da maneira que agrada a Jesus, precisa ser igual ao novo testamento. Ou seja, na nossa visão ser uma igreja correta é tentar viver de uma maneira que assusta aos não-cristãos por nosso atraso de vida entendendo que isso é sinal de santidade. Existe um medo de contextualizar a igreja e a mensagem.

Como pregar o Evangelho em um mundo assim:

(Vídeo roubado do blog do Cristão Inteligente)

A igreja

Você já conheceu aquela pessoa que parece que veio de algum outro século pelo jeito estranho de falar? “Vós estais bem? Sois um varão de muita importância para mim, regozijo-me em vossa presença.”.
Creio que isso é um medo de mudança por pensarmos que quanto mais parecidos com a linguagem bíblica estivermos e mais parecidos com o novo testamento, mais santos seremos. Contextualizar não parece uma coisa boa.
A realidade é que todas as igrejas estão contextualizadas a algum século. O fato é descobrir qual é o século.
Até o século 14 não havia bancos nas igrejas e todos os cristãos ficavam de pé durante o culto. Antes, somente alguns templos pagãos utilizavam encostos que eram freqüentemente utilizados como apoio para orgias. Onde está o super crente santo que vai começar a dizer que não quer mais bancos na igreja porque se sente em uma orgia?
Utilizamos bíblias impressas e isso é devido a Johan Gutenberg, este inventou a impressão no século 15. Então se a igreja utiliza bíblias impressas, ela está passando por uma contextualização do século 15. A mesma coisa para alto falantes, toda a igreja que utiliza sistemas de som passa por uma contextualização do século 18. Grande parte das igrejas utilizam projetores para anúncios e letras de música durante o louvor e o projetor é uma tecnologia do século 20. Muitas igrejas também enviam e-mails com informações dos cultos, pedidos de oração, informativos em geral e isto é uma contextualização do século 21. As últimas novidades tecnológicas são os podcasts (arquivos de áudio) de pregações.
A música cristã, na minha opinião, se torna uma tristeza pela falta de inovação. Às vezes brinco com um amigo meu que deveríamos dar uma bíblia e um dicionário para todos os novos convertidos, pois grande parte das músicas apresenta verbos utilizados somente por nossos ancestrais mais antigos.
E sem mencionar a falta de originalidade, ou a música fala de fogo ou de chuva. Além de todas aquelas músicas que falam na segunda pessoa do plural: EXALTAI, ENGRANDECEI, SALMODIAI, SONDAI, BUSCAI. Como eu não cresci na igreja, durante os louvores tinha de virar para algum amigo e perguntar: “Tá… e o que significa isso?”.

A questão não é se a igreja deve ou não se contextualizar, mas sim a qual século ela está contextualizada.

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1 comentário

Arquivado em Pensamentos

Uma resposta para “Contextualizando o Evangelho – A Igreja

  1. Esse filme é sensasional. Ótimo post

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