Contextualizando o Evangelho – A Mensagem

pedra-de-roseta
O mundo muda, fato. A Mensagem nunca mudará: Jesus Cristo é o Filho de Deus, encarnado, habitou entre nós cheio de graça e de verdade, foi morto na cruz pelos nossos pecados, passou três dias no sepultado e ressuscitou para nos trazer salvação; isso nunca muda. Mas isso não significa que a mensagem deve ser passada de maneira igual a todas as épocas.
A bíblia também é um livro contextualizado à sua época. Uma das minhas passagens favoritas é em Atos 17 quando Paulo vai a Atenas e prega aos atenienses. Só para entender qual era o contexto da situação: Atenas era uma cidade extremamente pagã e seus cidadãos sacrificavam a diversos falsos deuses. E existia o altar do deus desconhecido, erigido para assegurar que nenhum deus tivesse ficado fora da adoração dos atenienses. Paulo sabia que os atenienses não conheciam o antigo testamento, pois não eram judeus.
E o que Paulo faz? Utiliza o altar do deus desconhecido e começa seu discurso: “…passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do Céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois, ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós’ pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas tem dito…” (Atos 17.23-28) – Neste trecho Paulo não menciona a bíblia, mas utiliza citações de filósofos gregos (Epimênides, Cleanto e Arato) e estas citações são originalmente sobre Zeus, o maior dos deuses gregos. Paulo contextualizou a mensagem para um povo, falou a língua deles.
A armadura da fé de Efésios 6 é outro exemplo. Éfeso era a capital romana na Ásia e o povo romano era conquistador, o império romano foi o maior de toda a antiguidade e, ao escrever para este povo, Paulo convida-os a preparar-se para a batalha e compara o Evangelho com uma armadura a ser vestida para resistir o mal.
Jesus era criticado por que falava a linguagem do povo, enquanto os religiosos enchiam suas orações de palavras sem sentido. Jesus era tido como louco porque ele se misturava com todos ao invés de ser uma daquelas pessoas estranhas que parecem que estão vegetando e falam por meio de enigmas. Jesus Cristo contava estórias quando pregava. Ele não pregava por meio de pontos, pois sabia que não estava falando com teólogos e entendidos no assunto, Jesus sabia falava com gente humilde
O Evangelho de João é outro exemplo. João chama Jesus de LOGOS. Originalmente, Logos significa palavra em grego. Existiam duas culturas muito importantes na época de Jesus, a cultura grega e a cultura judaica. Segundo o filósofo grego Heráclito, o LOGOS significa a razão que rege o universo e tudo acontece segundo o Logos. Já para um judeu, a força mais poderosa no Universo é a Palavra de Deus = o Logos de Deus. No começo do Evangelho de João, Jesus Cristo é chamado de Verbo “E o Logos se fez carne” (João 1.14). O Espírito Santo, inspirou João a escrever utilizando ideias de duas grandes culturas – No princípio era o Logos, a Razão que rege o Universo, a Palavra do Deus vivo.
Último exemplo: as igrejas de Apocalipse. Neste livro Jesus pede que João escreva diversas cartas a algumas igrejas que ficam na Ásia e pede que os cristãos se arrependam de seus pecados; se eles continuassem insistindo no erro, Jesus faz algumas ameaças:
– Carta a Éfeso: Se não mudassem, Jesus moveria o seu candeiro (Apocalipse 2.5). A cidade de Éfeso foi deslocada por causa da progressiva obstrução do rio Caister, ela foi “movida” de lugares antigos. De maneira analógica, Cristo ameaça remover a igreja caso o povo não se arrependa.
– Carta a Esmina: Cristo pede que os cristãos continuem firmes e lhes promete a coroa da vida (Apocalipse 2.10). A deusa Cibele de Esmirna é retratada em moedas com uma coroa, segundo o modelo das muralhas da cidade. Dizia-se que as construções no Monte Pagos de Esmirna se pareciam com uma coroa. Em oposição a estes conceitos, Jesus promete dar a coroa verdadeira.
– Carta a Sardes: Jesus chama a igreja de morta e pede que eles se arrependam; se não mudassem de atitude, Jesus viria como ladrão (Apocalipse 3.2-4). A aparentemente inatingível fortaleza de Sardes foi capturada de surpresa duas vezes em tempos de guerra, provavelmente à noite. Cristo adverte que uma experiência semelhante atingirá a igreja a menos que seu povo desperte.
– Carta a Filadélfia: Jesus promete que fará do vencedor coluna no santuário (Apocalipse 3.12). Filadélfia tinha sido atingida por terremotos. Isso tornava a promessa de segurança e estabilidade especialmente apropriada.
– Carta a Laodicéia: Jesus fala que as obras da igreja são mornas, nem frias nem quentes e ameaça vomitá-los de Sua boca (é, a palavra vomitar aparece na bíblia) (Apocalipse 3.15). O suprimento de água de Laodicéia vinha de uma fonte distante através de tubos. Em conseqüência, quando a água chegava à cidade era morna e pouco potável. Contrastantemente, a cidade vizinha de Hierápolis possuía fontes térmicas medicinais, e a vizinha Colossos era abastecida por uma fonte de água fria vinda da montanha. Cristo pede que a igreja seja refrescante (fria) ou medicinalmente curativa (quente) e não como o abastecimento de água de Laodicéia.
Cristo fala de uma maneira que as igrejas entendam e a mensagem também deve ser passada de uma maneira que faça sentido. De que adianta sair com um megafone gritando versículos por aí sendo que muita gente não conhece as Escrituras? É surpreendente como o Espírito Santo, o Autor Supremo das Escrituras, usa de criatividade inigualável para passar as boas novas do Evangelho.
Se você encontrou uma maneira louca e inovadora de anunciar o Evangelho, ore, peça ajuda a Deus e faça! Palhaços, ações impactantes, hip hop, artistas de todos os tipos, grafiteiros, dançarinos, malucos de todos os tipos, VAMOS SER LOUCOS POR CRISTO !!!!
“Deus escolheu coisas loucas do mundo para envergonhar os Sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar os fortes” (I Coríntios 1.27-28)
A Mensagem SEMPRE é contextualizava e importa saber a quem ela está sendo transmitida.
Que toda a honra, glória, louvor, força e poder sejam dadas a DEUS, esse DEUS maravilhoso que usa coisas loucas para alcançar os pecadores!

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4 Comentários

Arquivado em Pensamentos

4 Respostas para “Contextualizando o Evangelho – A Mensagem

  1. Thiago

    Léo, muito bom seu blog. Suas mensagens são essenciais para lermos e refletirmos todos os dias. Está de parabéns! Faça uma ótima viagem á China e desfrute o máximo de tudo por lá! Depois você me conta como é comer carne de cachorro!! rs Abraços

  2. Anna Rachel

    Leo, vc está de parabéns!
    Gostei mto da sinceridade em seus escritos e na dedicação em conhecer mais e partilhar da maravilhas do nosso Deus.
    É ótimo saber que vc se tornou um irmão em Cristo.
    Td de bom!

  3. Karla

    Paz e Graça!

    Legal seu blog, ainda não tive tempo de ler muita coisa, mas acho que passarei um bom tempo aqui.

    Bjokas

  4. Olá, gostei muito de seus artigos, gostaria de te convidar para partipar de uma rede de troca de conteúdo, para mais detalhes me adiciona no msn co_herdeiro@hotmail.com ou me manda um email ok. Abraços. Samuel

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