Arquivo do mês: outubro 2009

Diário de Bordo – Paraguai Pt. 2

À tarde demos uma volta na cidade e fomos até um centro poliesportivo em ótimo estado. A única coisa tensa era o banheiro. Manja quando você entra no banheiro e a privada está marrom de tão suja? Então, esse era o estado da pia.
Voltamos ao hotel para tomar um banho e dar uma refrescada e depois retornamos à escola para assistir algumas apresentações de dança paraguaia e o rapaz do teclado tocou a música do Kiko de novo.

A apresentação foi legal e o pessoal do Brasil também cantou uma música em português. Teve também uma dança típica bem bonita
Apresentação terminada, todo mundo voltou para o hotel para tomar banho e ir para o culto. A igreja lá era bem bonita, bem cuidada e pequena. O clima de igreja pequena é bem gostoso porque todo mundo se conhece e se cumprimenta. É uma das coisas que faz falta em igreja grande, a sensação de comunidade. O que mais me marcou durante o culto foi que em um momento de louvor todos começaram a dançar uma música de mãos dadas girando. É uma inocência tão gostosa e tão difícil de ver hoje em dia. Fico pensando se não esse tipo de atitude que Jesus fala quando diz que devemos nos parecer com as crianças.
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Culto terminou, fomos comer alguma coisa. Durante o jantar, a galera do Brasil teve um ataque “hablando español”, até se cantou um funk do “si, pero no mucho”. Aprendi a dizer “Dios bendiga a los ancianos” e “soy alérgico a los crustáceos”
Agora, passear. A cidade é bem legal, bem simples e bonita. Pense naquela cidade de interior que não é muito rica, mas é bem cuidada. Passamos em um festival que de imediato me fez recordar do festival da boa vizinhança. Havia por lá uma espécie de quiosque da coca-cola, porém me frustrei por não ter achado uma latinha do refrigerante por lá. E procurei bastante, mas parece que eles não bebem em latinha lá naquela cidade. Vale lembrar que tudo isto, todo este passeio foi feito na caçamba de uma caminhonete. Vida de aventureiro. Passeio terminado, back to the Hotel, hora de dormir, pois retornaríamos ao Brasil no dia seguinte.
O dia de volta foi aquela coisa básica de fim de viagem, todo mundo com as malas do lado de fora do quarto e com cara amassada. A volta de Concépcion até Ponta-Porã foi em um ônibus quebra-costas. Foi difícil voltar naquilo, três belas horas que pareceram dez. E o ônibus não tinha AC.
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E na volta, fiquei sabendo que iríamos passar no Shopping China, um grande mercado que vende tod o tipo de coisas, eletrônicos, videogames, chocolates, bebidas, lentes para câmeras, roupas, bolsas, etc. Antes da viagem, meu pai me perguntou “Leo, você não quer dinheiro? No Paraguai as coisas são bem baratas” e eu respondi “Relaxa, pai, nós nem vamos ter tempo de parar, vai ser uma viagem de trabalho voluntário”. Sabe quando você pensa “M*RDA!!!!”? Foi um desses momentos.
Almoçamos no shopping e eu aproveitei para comprar meu PS3, já o queria havia tempos. O pessoal que foi para a aldeia indígena apareceu também, nós nos encontramos pelo shopping, mas só fomos conversar mesmo na volta no ônibus. Fomos para a receita declarar os bens, porém a receita estava fechada. Isso eu acho um absurdo, você só pode comprar suas coisas até as 16 horas nos domingos e feriados, depois disso não é possível declarar bens. E se a policia parar, azar o seu, é propina ou bens apreendidos. Mas a lei é difícil mesmo.
Enfim, saímos de volta para São Paulo e vou dizer que esse último trecho tenha sido uma das melhores partes da viagem. Tirando que o ônibus parecia que tinha ficado mais apertado na volta e que o banheiro quebrou e dava para sentir o odor dele penetrando no fundo da alma e destruindo a alegria de meu ser (até ofereci pagar R$ 10,00 para quem respirasse fundo nesse momento). Mas a parte legal foi conhecer o pessoal que foi para a aldeia indígena. Tinha gente que eu mal havia visto e já me sentia na liberdade para brincar e deixar que zoassem comigo também. Jogamos cidade dorme, um jogo legal que lembra máfia, demos risada, conversamos sobre teologia. Uma das partes que mais gostei de conversar foi sobre teologia, é legal ver que ainda existem crentes pensantes e não um monte de alienados. Aprendi umas coisas super interessantes sobre artes, sempre achei a arte pós-moderna sem sentido e que qualquer pessoa fosse capaz de fazer, mas um amigo explicou um pouco sobre isso e eu entendi que não é qualquer um que é um bom artista.
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Rolou evangelismo também e eu acho surpreendente como evangelismo é uma coisa cansativa. É uma coisa muito espiritual mesmo, duas horas de evangelismo são mais cansativas que 8 horas trabalhando no campo, conforme um estudo que vi sobre isso. Charles Finney foi um grande evangelista e na sua última semana de ministério evangelista ganhou 180 mil pessoas para Cristo e ele afirma ter sido essa a semana mais exaustiva da vida dele. Rolou também uma conversa sobre islamismo e tenho aqui a manifestação de um missionário de Alá entre nós:

Parte do trajeto tentei dormir um pouco, mas a condição da estrada estava horrorosa e eu senti que a coluna ia rachar. A volta foi um momento cheio de risadas e em algumas horas aprendi é possível amar e se importar com gente que eu mal conhecia há pouco mais de três dias. Aprendi que posso orar por pessoas sobre as quais não sei absolutamente nada e gostaria muito de saber muito. Tenho saudades de absolutamente tudo e todos e meu único arrependimento é não ter feito uma viagem mais comprida.
Chegando em casa, pelo menos me senti bem vindo pelo meu cachorro.
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Realidade machuca às vezes.

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Diário de Bordo – Paraguai – Pt. 1

Sabe, eu sempre quis fazer uma viagem missionária, mas nunca tinha dado certo; sempre me pegava preso ao trabalho e meus chefes nunca foram compreensivos quando o assunto é deixar as tarefas do cotidiano para fazer um serviço puramente voluntário. Eu não condeno, normalmente os religiosos começam a atacar dizendo “como assim? É um serviço santo e espiritual!!! Seu chefe não entende, que Deus lhe dê misericórdia…”. Eu não julgo chefes que não podem liberar seus funcionários, afinal de contas todos os cristãos tem que trabalhar, já diziam Calvino e Paulo. E quem disse que o trabalho missionário é santo e espiritual e o trabalho secular é profano? Tudo é espiritual. Gosto do que Rob Bell diz a respeito disso, ele fala que em hebreu a palavra espiritual não existe, pois para o judeu não havia sentido de algo espiritual e não-espiritual, pois tudo é espiritual. A única diferença é se os seus olhos estão abertos ou não para isso.
Bem, a viagem começou na quinta-feira, 8 de outubro de 2009, no Mackenzie Tamboré. Nosso ônibus deveria ter saído às 20:30, porém como todo evento presbiteriano (pelo menos todos aos quais compareci), na hora marcada não estava lá. E o Mackenzie Tamboré é conhecido por sempre estar frio; parece que há uma bolha que envolve o local e ninguém estava muito bem preparado para esperar no frio. Acabamos esperando pouco mais de uma hora, até que o ônibus chegou. Quando entramos no ônibus, dei logo de cara com um monte de gente que não conhecia e imaginei que fossem todos do Mackenzie de São Paulo. A galera meio quieta, imaginei que houvesse pouca gente que realmente se conhecesse lá, porém me disseram “você vai ver que em pouco tempo tá todo mundo conversando como se fossem velhos amigos”. Eu não botei muita fé nesse comentário. E estava errado. Algumas horas depois, já estávamos conversando sobre tudo e falando sobre o vídeo do “Pregando a Briba” onde o “pregador” diz frases inesquecíveis como:
– A Briba diz que Isac apresentô morto com Cristo
– Ali a Briba fala que Mozés cheiro do poder do espírito de Deus. A briba fala que Mozés bateu com a vala no… bateu com a vara no má. E o má se abriu. Irmão, ali a Briba falô para Mozés: Mozés, Moshé, Moshé, erés Codó. Ali Deus unçô Mozés naquela hora e disse: Mozés, te aumilha na presença de Deus.
– Fala Senhor pra que teu cego ouça
– A Briba ali ali tobém fala, a Briba diz ali fala que Deus almou o mundo de tão maneira que deu seu filho ali gêmeo para todos aquele que crê é a vida eterna
– Ali Deus Pedro chamô, filho do truvão. O nome Pedro e Thiago filho do truvão, filho du da bença.
– Ali Deus tobém falô para Davi: Cego meu, seja banani comigo

Eu acho que ainda verei esse vídeo o resto da minha vida e continuarei dando risada dele. É isso que dá, 25 horas dentro do ônibus, começam os ataques de bobeira. Uma das coisas mais difíceis no ônibus foi dormir enquanto a galera batia um papo teológico lá no fundo e eu queria ouvir.
Foram diversas paradas na estrada, umas para comer alguma coisa, umas para aliviar o joelho e o ventre. A parada principal foi na Missão Caiuá, uma base missionária que trabalha com indígenas. Nós pretendíamos tomar café da manhã lá, mas chegamos ao meio-dia então o café se tornou almoço. Não deixou de ser gostoso, já conversei um assunto interessante com um pessoal do ônibus lá na mesa do café. Depois, fomos visitar a missão. Aliás, fazia um calor danado. Marcos Botelho tem uma teoria que o inferno fica lá perto da Guiana Francesa, porque quanto mais se sobe, mais quente fica. Estava MUITO calor, imagina se subíssemos mais um pouco.
É um lugar bem legal, varias casas, um hospital, uma ala para crianças desnutridas, mas o que mais me chocou nessa área foi um cachorro desnutrido.
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Pobre animal.
Também sentamos e louvamos a Deus um tempinho, é sempre bom louvar e adorar o Criador do Universo, apesar de que nunca O louvemos ou louvaremos como Ele merece.
De volta ao ônibus, a conversa já fluía melhor com a galera que estava conosco, sempre jogando conversa fora, comendo besteira e dando risadas. Quando é que o corpo de Cristo é mais Corpo? Nessas horas ou na igreja?! Veja aqui um videozinho da brincadeira:

Fomos até Ponta-Porã e lá nos separamos da maior parte da galera que estava no ônibus, 32 pessoas foram para uma aldeia indígena e 12 (eu, incluso) para o Paraguai. Fomos até um postinho pegar o “permiso”, documento que permite a estada no Paraguai e depois fomos pegar outro ônibus para Concépcion, o destino final.
Mas… perdemos o ônibus. Foi tudo tão repentino, eu mal vi o que aconteceu, só me lembro que o pastor mandou eu subir em uma caminhonete de um pastor conhecido dele e eu sentei na caçamba, cabelos ao vento, pé preso nas caixas e meio atordoado da correria. Uma foto assustado:

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Alcançamos, afinal, o ônibus perdido. Era um ônibus daqueles de filme, velho, quebrado, azul cor de banheiro de escola de freira, cortinas vermelhas. Aquele tipo de ônibus que você espera encontrar um jegue com a cabeça para fora no último banco. E para piorar, o ônibus era leiteiro, parava de ponto em ponto para pegar gente. A viagem que deveria durar duas horas durou três e meia. E todos os paraguaios eram iguais, parecidos com o Evo Moralez (sei que ele é da Bolívia).
Chegando ao destino, paramos na escola onde a missão ocorreria e uma surpresa nos esperava: arroz e feijão com carne moída! Sabe quando você se sente agradecido demais por algo que nunca soube dar muito valor? Então, foi isso. Eu sinceramente nunca me senti tão feliz de comer arroz e feijão. Olha, nada melhor do que a comida brasileira. Já estive em muitos lugares, mas a comida brasileira é a melhor. Jantar terminado, fomos para um albergue para pernoitar e já iniciar o trabalho no dia seguinte, bem cedo. Chegando no hotel, vi a morte acontecendo: um cachorro enorme saiu de dentro do hotel, olhos ameaçadores, dentes afiados e prontos para matar. Mas ele não fez nada. Ainda bem que eu sou bem corajoso, NÉ?! Com minhas habilidades e muito furtivo, consegui tirar uma foto do predador um pouco depois dele optar por não dar o bote.
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Enfim, o albergue era um pouco empoeirado e minha rinite já começou a aparecer, mas graças a Deus não incomodou muito.
No dia seguinte, depois de 25 horas de ônibus e horas de sono, acordamos, café-da-manhã e mão na massa. Fomos para a escola e conhecemos uma parte das crianças e eles eram bem amorosos, bem simpáticos. Eu acho que usamos muito errado o termo “carente”. Nós chamamos pessoas pobres de carentes. E os ricos? Conheço tantos ricos afundados na própria grana que estão carentes de amor e compreensão. Enquanto as pessoas mais pobres são carentes de recursos, nós somos carentes de sentimentos, muitas e muitas vezes. Entramos na escola, teve uma pequena apresentação de todos os brasileiros que estavam lá para trabalhar e um dos paraguaios fez uma apresentação de teclado de uma música que parecia do kiko.
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Enfim, começamos a trabalhar e a escola estava em um estado bem ruim. Começamos pintando, mas foi difícil, pois as crianças ficaram tão animadas com a nossa presença lá que eles mesmo queriam trabalhar e não queriam deixar a gente fazer muita coisa. Saí de lá com a sensação que poderíamos ter trabalhado mais, mas mesmo assim foi muito gostoso.
Almoçamos lá também e a comida era muito boa. Descobri que sopa lá é uma espécie de bolo. E lá se toma o suco de uma fruta chamada pomelo, muito gostosa. A primeira vez que tomei, me imaginei bebendo suco de cogumelo e já senti o barato vindo. Mas ouvindo melhor, o efeito psicológico passou. Mesmo depois de termos comido, ficamos na mesa dando risada, conversando e se conhecendo. Esse tipo de viagem é muito gostoso porque conhecemos nossos irmãos e irmãs em Cristo que nem temos idéia de como são. É bom conhecer a família.

Continua…!

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No ritmo certo

Dois rapazes que fazem parte da minha igreja tiveram a idéia de criar uma bateria, como aquelas baterias de escola de samba ou de faculdades, como a Politécnica-USP. Além de ser muito divertido, promove integração e quem sabe num futuro (próximo, espero eu), nós possamos começar a usar isso para chamar a atenção e evangelizar. Sinceramente, quando começamos eu não achei que seriamos capazes de conseguir tocar alguma coisa antes de algumas boas semanas de ensaio. Não porque seja impossível, mas porque a chave da bateria é a sincronia.
São diversos instrumentos, cada um com seu som distinto e batida diferente e cada um precisa estar atento ao seu próprio instrumento e de todos os outros, éramos um corpo, cada um com sua função separada, mas com um objetivo único. Se alguém toca prestando atenção única e exclusivamente no seu trabalho, a música se perde, pois envolve a cooperação de todos. Se alguém erra, o objetivo dos outros é ajudar aquele que errou a entrar de novo no ritmo e achar o compasso correto, não olhar feio e reclamar ou até mesmo dificultar. Ninguém quer mostrar que é melhor do que ninguém, mas simplesmente se esforçar e melhorar para que a bateria inteira melhore.
Um corpo como a Igreja de Cristo. Paulo retrata a Igreja como um corpo, cada órgão com suas funções individuais (1 Coríntios 12.12-31). Paulo diz que nós somos semelhantes a uma unidade orgânica na qual cada um deve fazer aquilo que lhe foi designado segundo os seus dons e não se deve invejar os que possuem função mais complexa e muito menos menosprezar aqueles que possuem função mais simples, pois um corpo precisa de todas as suas partes funcionando com saúde e quando um órgão sofre, o corpo todo sofre com ele. Quando um membro do corpo de Cristo sofre, a igreja sofre.
O que nos falta é isso, enxergar a Igreja como uma bateria. Se alguém errar, precisamos ajudar a entrar no ritmo novamente e não nos gabarmos de que já estamos bem treinados e não erramos. O trabalho precisa ser individual e em equipe e não somente individual nem exclusivo em equipe.
Sempre buscando o ritmo certo e a harmonia.

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Em todas estas coisas nós somos mais do que vencedores!

StNedFlanders
Sinceramente, como eu me cansei de ouvir isso… não porque seja errado, mas porque é sempre fora do contexto. Quando Paulo (Romanos 8.37) diz isso, ele comenta sobre a força que nós cristãos temos para suportar a perseguição e as dores, mas infelizmente esse versículo muitas vezes é usado de uma maneira bem fora daquilo que se quer dizer. Já vi tantos pastores e líderes que fingem não haver sofrimento para aqueles que amam a Cristo e só sabem falar de amor. “Seu filho está doente, mas você não precisa sofrer! Por que você está sofrendo? Você é mais que um vencedor em Cristo!!” Nessas horas, me pergunto: cadê minha zarabatana com tranqüilizante?
Quando o assunto é sofrimento, perseguição e dor, tem muita gente que prefere fingir que isso não existe, preferem dizer que sofrimento é “do mundo” e que perseguição é coisa de tempos passados, da época de Domiciano e Nero. Dizem “Você é um vencedor!” Ah, como essa idéia não é bíblica. Eu creio que há muitas coisas boas aqui nesta vida, todas vindas de Deus como diz Tiago (1.17), porém não nego que essa vida seja muito difícil. Logo antes de enviar o Espírito aos apóstolos, Jesus promete que nós sofreríamos nesse mundo, porém Ele já havia conquistado o mundo (João 16.33). Ele não diz que talvez sofreríamos, Ele disse que sofreríamos. Sempre vejo os Ned Flanders cristãos, aquelas pessoas que não vêem problema em nada, nós somos vencedores e não há motivo para se entristecer. Eles são super espirituais, afinal de contas são cristãos que dirigem carros cristãos, se sentam em sofás cristãos, só tem amigos cristãos, bebem água cristã, usam cuecas cristãs, só compram papel higiênico cristão e ouvem música cristã. Não é a toa que ele é motivo de piada nos Simpsons, afinal ele representa tantos cristãos no nosso meio.
– Se alguém quiser vir após mim, negue a si mesmo e tome a sua cruz (Marcos 8.34-35)
– Irmão entregará irmão à morte e pai o seu filho, filhos se rebelarão contra seus pais e os matarão e serão odiados de todos por causa do meu Nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo (Mateus 10.31) – eu mesmo sofro zombaria na minha família porque decidi viver minha vida para Jesus Cristo
– Virá o tempo quando quem os matar pensará estar servindo serviço a Deus (João 16.1) – todo mulçumano radical crê nisso quando mata um cristão
– O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus. Se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus, co-herdeiros com Cristo, contanto que SOFRAMOS com Ele para que sejamos glorificamos com Ele. Eu considero os sofrimentos deste tempo presente indigno de serem comparados à glória que há de vir(Romanos 8.16-18)
– Pois a vocês foi concedido, que por causa de Cristo, vocês não deveriam apenas crer, mas sofrer (Filipenses 1.29)
– Portanto não se envergonhe do testemunho do nosso Senhor ou de mim, Seu prisioneiro, mas participa nos sofrimentos pelo Evangelho pelo poder de Deus(2 Timotéo 2.8)
– Eles deixaram a presença do conselho (João e Pedro) regozijando-se de que foram considerados dignos de serem humilhados pelo Nome (Atos 5.41)
Você irá sofrer
Sabe, a vida aqui na terra é muito difícil mesmo e quanto mais conheço a Cristo, menos aqui quero estar. Se pudesse escolher, falaria para Jesus me levar logo para a Sua presença e viver uma eternidade de pura felicidade. As coisas são muito difíceis, você precisa trabalhar muito e é capaz de ser criticado porque se recusa a sonegar impostos e agir contra a lei. Muitos cristãos sofrem com complôs feitos contra eles, seja na faculdade, seja no trabalho ou até mesmo na família ou amigos. Às vezes, você sofre injustamente, alguém que você ama e respeita te apunhala pelas costas e isso só confunde porque é mais fácil mentir para si mesmo dizendo que não aconteceu do que realmente querer ver a verdade como ela é. Outras vezes, você sofre por merecimento, porque você pecou contra alguém e está sofrendo as conseqüências. E por último, tem aquele sofrimento que Deus manda como mandou para Jó: Deus escolhe usar você para que algum propósito maior. Cristo também sofreu injustamente, Ele não merecia traição de um amigo, a família pensar que Ele fosse louco, a tortura romana e a morte humilhante. Não precisa ser um grande gênio para perceber o quão acabado e destruído esse mundo está e no meio das maiores dores que já tive, me chamaram de vencedor. Eu não me sentia um vencedor, mas continuaram a insistir que eu era um vencedor em Cristo e precisava ter mais fé para vencer o sofrimento. Além de estar sofrendo, duvidaram da fé que tenho e isso não ajuda em nada quem só consegue ver o mundo embaçado pelas próprias lágrimas. Só de viver em um mundo pecaminoso, já machuca. A bíblia diz que a criação inteira espera pela redenção, pois ela mesmo sofre (Romanos 8.22)
A jornada é longa e quem nunca se sentiu sozinho no meio dela? Eu sei que Cristo está comigo em todos os momentos e que Ele nunca me abandonará, mas sei que houve momentos que Ele escolheu para não falar nada e deixar que a dor me santificasse. Eu mesmo escrevo essa mensagem agora e preciso trancar a porta do meu quarto, porque já choro de lembrar das coisas que doem. Lembro de pessoas que magoei e que gostaria de ter agido de maneira diferente e também lembro daqueles que me magoaram sem motivo aparente e eu gostaria de perdoar de maneira sincera. Também me pergunto porque Deus permitiu que certas coisas acontecessem que eu nunca compreendi. Lembro dos amigos que já vi sofrendo ou daqueles que sei nunca mais vou ver. Lembra daquele parente que você perdeu cedo demais e inesperadamente? Ou então daquela pessoa que você ama tanto e foi diagnosticada com um câncer incurável. Hoje conversei com minha mãe e ela me contou sobre sua adolescência difícil porque foi tomada de uma doença misteriosa que durou por muito tempo e tomou anos de sua vida. Outra notícia, foi minha professora, ela está se separando do marido porque ele a faz sofrer e a traiu.
Ontem mesmo, meu professor de ética me contou de um massacre de 600 crianças do qual um amigo seu havia sido testemunha.
Tenho forte convicção de que muitos filmes de Hollywood tentam criar o mundo perfeito porque sabem que o nosso é imperfeito demais. Todos são bonitos demais e não existem mulheres com complexo por causa de seus defeitos. Todos são inteligentes e de boa família. Os homens respeitam as mulheres, os bonzinhos são recompensados e os malvados têm o que merecem. As famílias são felizes demais e os pais amam os filhos por quem são e não pelo que fazem.
Hoje, eu estava no carro ouvindo música irlandesa e sei que isso é peculiar, mas eu amo música irlandesa (eu tenho uma idéia de que, quando Jesus voltar, o ministro principal de louvor poderia ser o Bono Vox cantando e tocando músicas de seu país). Enfim, a música cria um ambiente muito feliz, fala de um mundo utópico onde todos são felizes no fim do dia. O vocalista exprime seus sentimentos de frustração com o mundo porque sabe que o mundo do jeito que gostaria não é real. Eu, particularmente, não suporto pessoas que só sabem cantar What a Wonderful World (Que mundo maravilhoso). Maravilhoso aonde?!
Como diz Mark Driscoll, o sofrimento não é uma escola à qual você sente falta quando está de férias. Mas enquanto você estiver matriculado, tente aprender nela. Sofra bem. Eu não sei exatamente porque você sofre, muitas vezes você também não sabe, mas I Coríntios 13.12 diz que nós vemos em parte e conhecemos em parte, mas chegará o dia em que O veremos face a face e compreenderemos porque as coisas acontecem do jeito que acontecem. Pedro pede que nós não estranhemos as provações e dificuldades da vida (I Pedro 4.12). Na sua segunda carta (3.8-14), Pedro pede que seus irmãos tenham paciência para a volta de Cristo, Ele não é lerdo, mas é paciente e bondoso e salvará todos os que escolheu. Jesus Cristo vem.
E a promessa é de um novo céu e uma nova terra e, principalmente, sem mais nenhum sofrimento: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus (…). Então, ouvi grande voz vinda do trono dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim.” (Apocalipse 21.1-6)
Há uma música de Jeremy Camp chamada There Will Be A Day (Haverá Um Dia) que diz assim: “
Haverá um dia sem mais lágrimas, sem mais dor e sem mais medos. Haverá um dia quando os fardos desse lugar não mais existirão e veremos Jesus face a face”
Eu prometo a você de todo meu coração que este dia chegará. Ele mesmo vai limpar as lágrimas dos seus olhos e não haverá mais dor, sofrimento, medo. Não haverá mais portas na sua casa porque você não precisa se preocupar com quem entra. Não haverá mais abuso infantil nem abuso emocional. Quem você não será determinado pelo celular que você comprou, o carro que você financiou ou a casa que você mora. Não haverá fome nem dificuldade. Não haverá indústria bélica. Não haverá PECADO. E haverá alegria na presença de Jesus por toda a eternidade.

E a história da humanidade terminará do jeito mais hollywoodiano possível:

E, com Jesus Cristo, viveram felizes para sempre =)

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