O Fruto Apodrecido

Na carta aos gálatas, Paulo pede que os cristãos da Galácia vivam uma vida orientada pelo Espírito de Deus e diz qual é o fruto do Espírito:

– Amor
– Paz
– Paciência
– Delicadeza
– Bondade
– Alegria
– Fidelidade
– Domínio Próprio
– Humildade (Toda vez que leio isso penso no Padre Marcelo sendo entrevistado no CQC falando que ele pede 10 coisas todos os dias: humildade, humildade, humildade, humildade, humildade, humildade…).

Paulo fala que estas características vêm como evidência, só que eu pessoalmente creio que existe muita gente que não entendeu ainda. A religiosidade ensina diversas mudanças de comportamento, regras que uma pessoa deve fazer e não fazer para ganhar o favor de Deus. Quando você não entende o fruto do Espírito, transforma-o em mera mudança de comportamento. Como essas características não são reais, a tendência é distorcê-las e elas se tornam:

– amor se torna neutralidade, egoísmo, indulgência.
– alegria se torna entusiasmo enlouquecido, emocionalismo ou frenesi.
– paz se torna mornidão, indiferença e falta de compromisso.
– paciência se torna permissividade.
– delicadeza se torna descuido ou falta de atenção.
– bondade se torna promoção pessoal e justiça própria.
– fidelidade se torna legalismo, ativismo, extremismo e fervor irracional.
– humildade se torna fraqueza, frouxidão, covardia e timidez.
– domínio próprio se torna esforço carnal e pessoal.

A religiosidade destrói tudo o que Cristo constrói: passa a você essa lista de evidências de uma vida nova guiada pelo Espírito de Deus e ensina que é necessário esforçar-se o máximo possível para fazer o que é certo. Vou contar um pouco da minha experiência pessoal. Apesar de ter me tornado um cristão com somente 20 anos, fui criado em um ambiente cheio de religiosidade, superstição e espiritualidade. Aprendi muita coisa sobre a bíblia e sobre Deus, porém não possuía nenhum relacionamento real com Ele. E o que me foi ensinado desde pequeno é fazer aquilo que a bíblia manda fazer, “fazer” também o fruto do Espírito (como se isso fosse possível). E isso me influenciou por um tempo logo após a minha conversão e, na minha falta de compreensão, quando era amoroso me tornava egoísta e neutro pensando que ser amoroso, ter amor significava também nunca falar sobre os pecados de amigos ou usar o amor como desculpa na hora que apontavam algum erro meu. Isso foi um erro meu por muito tempo e vejo as outras distorções por todos os lados na igreja. O que mais me incomoda é o quesito alegria, cristãos chatos que pedem para você ver o lado bom de tudo mesmo quando o seu mundo está desmoronando. Isso não é ser encorajador, isso é ser chato, estranho, incômodo e irritante. A paciência se torna permissividade e tolera falsos ensinamentos sobre Cristo, tudo em nome do conforto.

Humildade é outro fator que muita gente não entende e creio que, esforçando-se para ser humilde, muita gente diz e faz coisas tontas. Outro dia li sobre um cara que comemorava que a igreja dele era imperfeita. Eu acho legal reconhecer que somos imperfeitos, uma igreja reconhecer que é imperfeita e precisa da graça de Deus. Mas comemorar imperfeição e fraqueza? Pergunto-me até hoje qual foi o ponto disso… E, como a boa religiosidade manda, toda vez que você tiver algum “sucesso” em alguns dos pontos, o coração se enche de orgulho e arrogância. Quando falha, o desespero bate à porta por não conseguir atender os padrões de Deus. Uma das nossas obrigações como cristãos é refletir Cristo, ser luz no mundo escuro. Porém, o fruto distorcido não atrai a atenção para Cristo, mas faz com que as pessoas olhem para nós mesmos como alguma forma de religioso doentil.

Quando o alvo é Cristo, a mudança de vida é evidência. Quando o alvo é a mudança em si, não passa de mudança de comportamento e é muito mais fácil distorcer algo que não é natural.

Jesus veio para salvar a todos e a cada dia eu fico mais e mais convencido de que Ele também precisa salvar os cristãos.

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