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Evangelismo pela culpa

Foi há quase três anos atrás. Para ser mais exato, 2 anos e 8 meses. Fevereiro de 2008 foi quando Deus me salvou, eu viajei a um acampamento desses de igreja e não tinha ideia que as coisas jamais seriam as mesmas, sei que muitas vidas são marcadas por aquele tipo de momento “divisor de águas”, mas nunca havia imaginado que  o meu divisor seria uma cruz. Havia passado por diversas igrejas em toda a vida e cada uma com interesse ou motivação diferente.

Fui à Igreja Católica por anos, porém por pura obrigação familiar. Como bom filho e neto de portugueses, a Igreja Católica e as peregrinações a Fátima sempre marcaram nossas conversas. Inclusive o nome da minha mãe é o nome da santa. Fui a algumas igrejas evangélicas por causa de algum casamento de algum amigo da família. Aos 17, fui a uma Igreja Batista porque estava interessado em uma garota, para passar a imagem de bom rapaz era algo que me submeti a fazer. Lá me falaram para aceitar Jesus e eu aceitei, me pareceu um Ticket atraente e porque não dizer sim? Não entendi nada, mas segui o fluxo.

Aos 18, fui pela primeira vez em uma igreja chamada extremamente conversadora, lar de algumas pessoas bem intencionadas sem dúvida, mas também senti que toda vez que passava pela porta regressava alguns séculos no tempo. E também ouvi coisas como pessoas mal vestidas não são bem vindas ao “templo”, visitar Deus exigia as melhores roupas, homens devem ficar separados de mulheres, não deveria estudar a Bíblia porque tudo deveria vir do Espírito, a partir do batismo tudo era perdoado e tudo antes disso era permitido e por aí vai. Bizarrices a parte, o que mais me marcou não foi o fato de que essas pessoas pareciam vindas de outro século no qual mostrar o pé era considerado vulgar. O que mais me marcou foi a hipocrisia. Falava-se em amor, mas a exclusão social dos descrentes e “pagãos” era praticada. A diversão do “mundo” era mal vista e julgada, mas a diversão santa era a fofoca. A mesma pessoa que pregava sobre vestir um tipo de roupa somente era vista usando a vestimenta que condenou. Cristo crucificado era tema extremamente comum, assim como pessoas eram crucificadas diariamente pela maneira de se vestir, de falar, pelas companhias que haviam escolhido e até mesmo pelas escolhas “seculares” e “carnais” de vida e carreira profissional.

Já havia ido à igreja tantas e tantas vezes, mas nunca significou nada ouvir falar em Jesus, palavras não me balançavam quando o que ouvia divergia tanto daquilo que via.

Daí, em meio a uma crise familiar, fui convidado para ir a um acampamento. Não tinha nada a perder, afinal de contas uma viagem sempre vai bem. Agüentar os cultos não era nada em comparação com ter de agüentar o clima de casa. No acampamento, jovens de todas as idades riam e se divertiam, jogando truco, futebol, pulando na piscina, conversando e dando risadas. E o mesmo evangelho de sempre era pregado, um “blábláblá” de perdão.

Só que dessa vez algo chamou minha atenção. Fiz amizade com um casal e eles eram bem divertidos, engraçados e acolhedores. Mas o que mais roubava meu foco era que não eram hipócritas. Conversávamos de tudo, eles abraçavam sem julgar, dávamos risadas juntos, jogávamos, comíamos e não fazíamos nada quando não tinha nada para fazer. E creio que isso nunca passou pela cabeça deles, mas o fato de não terem me julgado, tentado me convencer a aceitar Jesus ou insistirem com qualquer bate-papo religioso sobre salvação fez toda a diferença. Eu já sabia tudo isso e no meio de uma crise familiar eu precisava de amigos, não de fórmulas mágicas me ensinando a entrar no céu. Era natural. E como ouvi nesse sábado do meu pastor, a graça se manifesta na desgraça. Quando precisava de apoio familiar encontrei e Deus quebrou meu coração assim à convicção, arrependimento e salvação.

E são tantas as vezes que se fala na igreja sobre Evangelismo com um tom de culpa. Coisas do tipo “seus amigos vão para o inferno e o que você está fazendo para mudar isso?”, versículos fora do contexto e cultos onde a mensagem é precedida por fotos de missionários segurando crianças famintas de nações empobrecidas contrastando com você, segurando seu computador e lendo seus e-mails. Infelizmente, Satanás usa a culpa para destruir os sonhos dos filhos de Deus. São tantos aqueles que desistem dos sonhos para suas igrejas, cidades e realidades por causa da culpa infligida pelos seus próprios líderes.

São tantos os relatos que ouço de amigos sobre como gostariam de pregar mais o Evangelho e não conseguem e muitas vezes creio que não entenderam a essência.

Deus deu dons, personalidades e temperamentos diferentes a pessoas diferentes. São tantas as passagens da Bíblia que falam sobre testemunhar o Evangelho diariamente com todas as nossas atitudes. O conteúdo é sempre o mesmo, mas o erro é crer que o formato também é. O cristão erra em limitar o que Deus não limitou, pois a sabedoria de Deus é loucura para o mundo, Deus utiliza as formas mais malucas para derreter corações congelados.

Nunca creia que a sua obrigação de testemunhar o Evangelho é isenta porque você não fala bem, Deus deu dons de criatividade, inteligência, escrita, liderança, discurso, acolhimento, generosidade e tantos outros aos seus filhos. Quando Jesus diz que seríamos testemunhas dele até os confins na terra, não significa somente lugares que você sabe que jamais visitará, mas significa que seríamos testemunhas nas universidades, no mundo acadêmico, nas empresas, no serviço público, na indústria, na biologia e no estudo de tartarugas, na medicina, no direito. Não há culpa, não há condenação e é na alegria que o Evangelho é vivido.

Que as pessoas sintam um pedacinho do céu em você assim como senti com aqueles amigos.

E que você venha a descobrir o que Deus pôs em seu coração para testemunhar da Salvação e que a culpa jamais o impeça de fazê-lo.

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