E agora…? Sério, e agora?

Faz tipo meio século que não sinto vontade de escrever aqui. Na verdade não sei se posso qualificar por falta de vontade, acho melhor chamar de estabelecimento de prioridades. Minha prioridade ultimamente tem sido pensar.

Acontece que… arrumei um bom emprego, terminei a faculdade… e agora…?

Sério, e agora?

Por que a pressão de escolher uma profissão tão novo? Aos 17, 18 anos, você precisa ter bem estabelecido o curso que quer cursar, a profissão que quer exercer e precisa ser algo extremamente lucrativo. Ganhar direito é bom, mas até quando?  Meu mestre já dizia “De que vale a ao homem ganhar todo o mundo e perder a alma?” A sociedade joga em adolescentes o peso da decisão que afetará o curso de suas vidas para sempre. A escolha errada implicará numa vida mal vivida?

Achei que as coisas mudariam, confesso. Achei que com o fim da faculdade, eu me sentiria livre do estudos e da necessidade de aprender, a cobrança enorme por resultados. Mas a realidade é que o ambiente acadêmico é um prelúdio para a grande orquestra que há de vir. Se você se sente pressionado e cobrado na universidade, espere entrar no mercado de trabalho. Estudo, aprendizado, progresso, todos estes substantivos definem coisas boas. O problema é a presão de ser o melhor em tudo. Você constantemente escuta que precisa continuar senão será deixado para trás. Hoje em dia, existem vagas de trabalho que você não precisa falar inglês para exercê-las. Mas se falar, é um diferencial e será escolhido por essa habilidade. Na real… por que? Sério, qual é a lógica dessa decisão? Em minha humilde e inexperiente opinião, pessoas deveriam ser contratadas por suas atitudes em relação a um trabalho, não por terem estudado algo que provavelmente usarão. E todo mundo é capaz de aprender durante o processo. Por que é tão necessário saber tudo antes?

Estudei fora do país, aprendi outros idiomas, coloquei um esforço tremendo em terminar a faculdade com boas notas e fiz cursos diversos; na esfera profissional, iniciei minha carreira ainda no segundo ano de faculdade, estagiei duas vezes e agora estou em meu primeiro emprego efetivo. E não falo de um emprego ruim: é perto de casa, aprendo bastante, ganho bem, tenho poucos gastos, uma galera legal. Como todos os outros empregos, tem seus pontos negativos, mas quando paro para pensar mais a fundo, o emprego em si não é ruim. Os pontos positivos superam os pontos negativos.

E… a única coisa que não encontrei foi paixão no meu dia-a-dia. Exerço meu trabalho da melhor forma possível, mas não sinto meu coração bater mais forte nesse exercício. E ainda é mais desanimador quando converso com meus ex-colegas universitários. Respostas como “eu amo o que faço” e “não troco meu trabalho por nada nesse mundo” são tão comuns e não ajudam muito.

Eu quero procurar algo que eu gosto… mas onde…? Não posso simplesmente entrar e sair de cursos diversos, preciso ter responsabilidade e sabedoria no investimento do meu dinheiro. E se eu errar o alvo novamente?

E se eu tomei a decisão errada?

E se… nunca descobrir a tal chamada “vocação” que tanto falam por aí?

E se…. não conseguir mais sair dessa função/profissão que exerço que não me conquistou?

A vida agora se resumirá em uma profissão que não me dá prazer?

E agora…?

Sério, e agora?

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6 Comentários

Arquivado em Pensamentos

6 Respostas para “E agora…? Sério, e agora?

  1. Pois é… hoje em dia as pessoas procuram se satisfazer no trabalho.. acho que não podemos limitar nossa vida nisso.. o pior é que isso se torna quase impossivel, na medida em que a gente passa a maior parte do tempo neste ambiente e o resto tentando melhorar para poder se manter nele.
    Quando digo essas coisas as pessoas acham que eu sou desinteressado, ou sei lá o que… vamos ter que fazer como os outros, fingir que a vida é isso.. só isso..

    ou criamos coragem de tentar coisas diferentes, correndo o risco de não ser bem-sucedido, mas talves um tanto mais feliz!

    • renatowong

      não quero falar muito, mas acredito que tem uma boa verdade no que o victor perez disse no final “ou criamos coragem de tentar coisas diferentes, correndo o risco de não ser bem-sucedido, mas talvez um tanto mais feliz!” – devemos aproveitar enquanto não temos tantar responsabilidades (familia, filhos, etc) para arriscar. Quem disse que não se pode errar?

  2. Penso nisso constantemente… tenho 26 anos e ainda não tenho certeza do que quero ser quando crescer!!!

  3. uma outra resposta possivel (e até mais indicada) é: Pergunta pro Max Gehringer!

  4. Márcia

    Se a sua prioridade no momento é pensar, acho que o seu próprio questionamento já é o melhor dos começos. Você não vai errar. Ou vai errar, mas estará apto a se levantar e retomar, como todos fazemos. O “ou” é que mata, né? Mas a segurança vem de fazermos o que consideramos justo e ético (isso me faz lembrar o seu TCC). O contrário seria abdicar da prudência ou pensar pouco. Você está em melhor situação assim, né?

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