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Enquanto meu chefe não volta…

Quando estava trabalhando nos EUA, vejo como essa experiência foi uma das melhores que já tive na vida! Fiz grandes amigos, tive momentos divertidíssimos, meu relacionamento com Deus cresceu e me sinto mais maduro. A única coisa que eu realmente não gostava era o trabalho em si. Era um trabalho repetitivo, maçante e que não desafiava em nada minha capacidade intelectual, eu não passava de um funcionário de baixo escalão que só realizava o operacional. Sempre tinha que escutar desaforo dos clientes e a política “o cliente está sempre certo” era uma doutrina sagrada na empresa. O ambiente corporativo variava entre pessoas com a minha faixa etária (18-22) até senhores aposentados que queriam fazer alguns dólares a mais no fim do mês. O que marcava a nossa equipe de trabalho era que ninguém gostava muito das responsabilidades e sempre empurrava ao outro aquilo que lhe cabia. Os horários eram malucos e confusos, eu trabalhava muitas vezes 12 horas por dia e raramente chegava em casa antes da 1 da manhã, sendo que o mais normal era entre 3:00 e 4:00. Tinha dias que chegava em casa às 4:00 e já estava escalado para trabalhar às 10:00 do dia seguinte. Como era inverno, houve dias que minhas roupas congelavam enquanto esperava no ponto de ônibus e chovia quase que sempre. Outros dias eu era molhado por aqueles jatos de água automáticos que ficavam no jardim do meu condomínio.

O trabalho não era dos melhores, definitivamente. E tinha dias que eu estava de saco cheio e empurrava com a barriga mesmo. E aí que veio a repreensão amorosa de Deus: uma noite eu estava com meu computador e um dos livros que gosto mais de ler é Colossenses, principalmente a parte que Paulo escreve sobre Jesus como o centro de tudo, de toda a criação, é Nele que tudo existe e Ele é o primeiro em tudo. Eu amo essa passagem, mas não foi nela que meus olhos se repousaram naquela noite. O que me chamou a atenção foi uma passagem que diz assim:

“Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens…” (Co 3.22-23).

Você pode estar pensando “Mas… e daí? O que isso tem a ver? Hoje em dia não existem mais servos!”. Esta passagem foi escrita há quase 2 mil anos e me surpreende como a palavra de Deus é viva e útil não importa a época. Paulo escreve aos servos e pede que eles trabalhem de coração, não trabalhando só quando o chefe está por perto, mas trabalhando e entendendo que tudo que é feito é para Deus. A escravidão é detestável e Paulo pede que os escravos ajam com sinceridade e honestidade, mais tarde afirmando que serão recompensados e estão servindo a Cristo e sendo exemplo para seus senhores. Assim como Jesus foi um servo obediente, devemos seguir Seu exemplo.

No momento que li isso, senti Deus falando comigo que deveria começar a trabalhar de outra maneira. Vieram-me na cabeça todos os empregos que já tive, que em algum momento jogava paciência e quando percebia alguém importante vindo em minha direção, eu rapidamente trocava para a tela do Outlook, abria algum e-mail de trabalho e fazia cara de sério. Lembrei dos momentos que tinha algo para fazer e fiquei adiando até o último momento, mesmo sabendo que eu atrasava o trabalho de outras pessoas. Até já houve vezes que eu simplesmente ficava lendo as notícias. No meu trabalho nos EUA, eu costumava estender meu intervalo de almoço por 5 minutos, às vezes 7 ou 10. Foram todos momentos que eu pensava “Enquanto meu chefe não volta, eu vou…”.

Quando li essa passagem, percebi como Deus quer que façamos nossos trabalhos de maneira honesta e responsável. Não importa muito o que você faz, importa como faz. Você pode ser um grande executivo com conta bancária recheada ou você pode estar preso em um trabalho sem saída, sem futuro, sem perspectiva de carreira, com poucas chances de efetivação e ganhando menos do que aquilo que você precisa (ou do que acha que precisa). Deus ordena que você trabalhe como se trabalhasse diretamente para Ele. Enquanto seu chefe não volta, trabalhe como se ele estivesse do seu lado e avaliando a cada momento.

Jesus é o maior exemplo disso, a Bíblia descreve como Ele sempre existiu como forma de Deus, porém se esvaziou, tomou forma de servo e foi obediente até a cruz. Jesus sabe o que é ser humilhado por outras pessoas. Jesus sabe o que é trabalhar em um trabalho sem futuro e mesmo assim pagava seus impostos. O currículo de Jesus não era nada surpreendente: homem solteiro, 30 anos de idade, operário, mãos calejadas do ofício da carpintaria. Jesus entende completamente quando você reclama que seu trabalho é horrível e Ele pede que você trabalhe direito não importa aonde.

Jesus nunca inventou desculpas para ficar na cama enquanto o despertador tocava, jamais fez o trabalho mal feito só porque não lhe dava perspectiva de carreira, Jesus jamais ficou perdendo tempo jogando campo minado enquanto sua pilha de tarefas a fazer só aumentava. Jesus era responsável. E se você acha que a vida perfeita é sem responsabilidades e trabalho, assim como eu, está na hora de você se arrepender.

Fala sério, não existe ninguém como Jesus.

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Passion 2010

Cheguei nos EUA já faz um bom tempo e eu desisti de ir para o Passion faz algum tempo, pois sabia que seria financeiramente inviável trabalhando na Disney. Mas de alguma maneira, Deus fez acontecer. Nem no dia que eu estava no volante eu senti que realmente ia para o Passion. Foi tanta coisa que eu vi e amei por lá, mas fica difícil de condensar tudo por aqui, vou tentar escrever mesmo assim. A sensação mudou de verdade quando eu cheguei lá, milhares de estudantes andando e sorrindo. O Passion é sobre uma geração de universitários que amam Jesus e queremos fazer a diferença no mundo juntos. E em um mundo onde vemos jovens tão perdidos com imoralidades, uma das coisas mais lindas que podemos ver é uma multidão de universitários apaixonados por Cristo com suas vidas entregues à Sua causa. Eu olhava para aquele povo todo e pensava em uma só palavra “família”. Tive a primeira reunião com os community groups, pequenos grupos com nove pessoas para conversarmos sobre o que Deus está fazendo em nossas vidas, quais são nossas dúvidas, nossos medos, nossas preocupações e opiniões. Ainda nos reuniríamos todos os dias até o fim do Passion. Essas coisas sempre me frustram porque sempre começa com todo mundo tímido, ninguém querendo puxar conversa e no último a gente se despede como se fossemos melhores amigos. De verdade, eu mal os conheço, mas sinto saudades. Já me senti assim antes e é incrível como Deus capacita seus seguidores a amarem pessoas que eles provavelmente não gostariam ou não suportariam não fora por Ele.

Nossa causa é o reino de Deus e o Passion fez a campanha “Do Something Now” (Faça algo agora). É uma campanha que tem a visão que juntos temos a capacidade de impactar pessoas por todo o globo em nome de Jesus. O ponto é fazer a diferença na vida de alguém agora. Poderíamos doar dinheiro para:

1 – Ame aqueles afetados pela AIDS/HIV – A cada 14 segundos uma criança se torna órfã por causa da AIDS e mais de 15 milhões de crianças já perderam um ou ambos os pais por causa da doença. Meta: 200 estudantes doarem $ 35 = patrocínio de 200 crianças doentes.

2 – Envie bíblias para povos não-alcançados – Até mesmo enquanto você lê isso, cristãos perseguidos de todo o mundo reúnem nomes e endereços de pessoas em suas comunidades que querem partilhar sobre a verdade de Cristo e também querem fornecer bíblias para pessoas no leste da Ásia em favor de nossos irmãos e irmãs perseguidos. Meta: 3000 estudantes doarem $ 1 = 3000 bíblias enviadas para a Ásia.

3 – Cirurgias transformadoras – A vida na guerra do Afeganistão é difícil para qualquer um, mas para uma criança que sofre de lábio fendido, a vida se torna um pesadelo. Uma criança desfigurada é rejeitada pela sociedade e confinada na casa de sua família. A criança desfigurada corre alto risco de morto devido à má-nutrição. Meta: 1.100 estudantes doarem $ 50 = 100 cirurgias para restauração de lábio em crianças afegãs.

4 – Tradução da bíblia – Mais de 2.000 povos pelo mundo não tem uma bíblia em sua língua materna. Imagine não ter uma bíblia em toda sua comunidade ou cidade, sem falar em uma bíblia só sua. Isso é uma realidade para milhões de pessoas. O pedido é patrocínio para tradução de bíblias para os povos Shatika e Rom no sudeste da Ásia. Meta: 2.000 estudantes doarem $ 25 + 20 grupos doarem $ 2.500 = 1 tradução da bíblia.

5 – Seminário subterrâneo – Você não ouvirá sobre isso no noticiário ou lerá algo relacionado a ele no jornal, mas a igreja cristã subterrânea no Oriente Médio está crescendo! Mulçumanos estão voltando seus olhos para Cristo e a igreja está se levantando. Há uma grande necessidade de treinamento e liderança para a igreja. Meta: 300 (homens) estudantes doarem $ 100 = seminário de treinamento para 100 crentes do Oriente Médio.

6 – Justiça para os oprimidos – o povo Dalit totaliza mais de 250 milhões de pessoas trancadas em um ciclo religioso de opressão e escravidão moderna. A palavra dalit significa literalmente “intocável” e eles são tratados dessa maneira por outroas pessoas. Os Dalit estão entre os povos mais opressos do mundo. Sempre lhes é negado acesso a cuidado medico, educação e empregos decentes simplesmente por causa da casta em que nasceram. Os indianos dizem que os Dalit vieram das sola do pé de Deus, mas os cristãos em contrapartida lhes ensinam a verdade suprema que eles são imagem e semelhança do Deus vivo. Meta: 2.500 estudantes doarem $ 30 = 1 centro de educação exclusivo para os Dalit na Índia.

7 – Água limpa – mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não tem acesso a água limpa – 90 % de todas as doenças do mundo são causadas por água suja, falta de cuidado sanitário e higiene pobre – 5000 crianças com menos de 5 anos morrem todos os dias devido a doenças relacionadas com água. Isso é uma criança a cada 15 segundos. É praticamente impossível para as nossas mentes entender números como esses e ainda mais difícil para nós é acreditar que eles são relacionados com algo tão simples como água limpa, a mesma água que tomamos todos os dias e não damos a mínima para ela. Nós queremos mudar essas estatísticas! Meta: 2.000 estudantes doarem $ 25 = 10 poços na Guatemala + 100 estudantes enviados à Guatemala pelo Passion para cavar os poços.

8 – Pequenos empréstimos para pequenos negócios – mais de 70% das pessoas que vivem com menos de $ 1 ao dia são mulheres. Enquanto Deus deu e dá às mulheres ambições, inteligência e habilidades para cuidar de si e de suas famílias. O objetivo é fornecer empréstimos a mulheres para que possam começar pequenos negócios e possam assim quebrar o ciclo da pobreza. Meta: 200 (mulheres) estudantes doarem $ 200 = 200 empréstimos para mulheres no Haiti.

9 – Escravidão e tráfico do sexo – milhões de mulheres e crianças estão presas no tráfico do sexo e prostituição por todo o mundo. No Nepal, existe um número alarmante de crianças e jovens mulheres sendo levadas e vendidas para o comércio sexual todos os dias e são levadas para bordéis na Índia. Em resposta, procuramos construir um posto na fronteira entre os países para vigiar os ônibus que atravessam a fronteira e ajudar a polícia local a identificar os criminosos e as vítimas desses crimes. Meta: 1.000 estudantes doarem $ 25 = 1 posto na fronteira do Nepal.

10 – Ajude mães e crianças – até mesmo antes de nascerem, milhões de crianças em países subdesenvolvidos devem lutar por suas vidas. Má-nutrição e outras doenças são o inimigo. Muitos bebês que sobrevivem ao nascimento não passam de seu quinto aniversário. A cada dia, mais de 25.000 crianças perecem basicamente de causas preventivas. O objetivo é dar dinheiro a igrejas que possam ir às comunidades na Indonésia e ajudem as mães a cuidar de seus filhos. Meta: 100 estudantes doarem $ 20 mensais = 1 criança sobrevive na Indonésia.

11 – Comida para os famintos – o mundo possui mais de 850 milhões de pessoas sofrendo de fome crônica e esse numero cresce por volta de 1 milhão por ano. Enquanto a forme mundial atinge todas as idades e lugares, a maioria é formada por crianças, mulheres e comunidades rurais afetadas pela fome. O objetivo é enviar 100.000 refeições para todo o globo. Meta: 500 estudantes doarem $ 35 = 100.000 refeições embaladas e enviadas para o mundo.

12 – Beba café. Ame órfãos – Universitários são conhecidos por seu amor por café e então o café será fornecido para ajudar uma causa incrível. Um copo de café por $ 2 e 100 % dos lucros será reinvestido nas vidas de jovens crianças desnutridas na Etiópia.
Sabe, vendo essas causas eu vi como eu sou insignificante para ajudá-las com o pouco dinheiro que tenho. Mesmo que eu ganhasse um ótimo salário de $ 50.000,00 mensais, nunca conseguiria chegar perto do número necessário para completar as causas. Porém, nós éramos 22 mil jovens apaixonados pelo Reino de Deus que querem fazer o nome de Jesus ser proclamado nos quatro cantos do planeta. O corpo de Cristo trabalha junto, mesmo com pouco de cada, podemos fazer muito. E fizemos. US$ 670 mil foram arrecadados para as causas só com o dinheiro de estudantes estagiários falidos que guardaram o pouco que tinham e escolheram a generosidade!! E se você achou isso surpreendente, espere para ver a próxima parte: um grupo desconhecido de pessoas que nunca ouviram falar no Passion e preferiram não se identificar se surpreenderam com o número enorme de estudantes andando pelas ruas de Atlanta e ficaram movidos pela causa. Eles falaram com os lideres do Passion e lhes disseram: queremos doar exatamente a mesma quantia que os estudantes doaram até agora! Mais US$ 670 mil doados para essas causas! Tem como dizer que Deus não é incrível?

Vou contar do momento que mais me marcou: nós oramos por algumas causas (inclusive a minha favorita, a China) e o preletor (Louie Giglio) pediu que nós todos orássemos a Deus em voz alta, cada um com seu clamor e depois pediu um momento de silêncio. Nesse silêncio, todos começaram a cantar “How Great Is Our God” (Como é grande o nosso Deus). Sabe um daqueles momentos que você gostaria de ter congelado e deseja que durasse para sempre? Assim como John Piper falou os melhores momentos são aqueles que você se sente mais insignificante. Os melhores momentos são aqueles que você percebe como Deus é grande e como você é pequeno, minúsculo, insignificante. Eu sei que esses momentos são tão bons porque somos mais parecidos com aquilo que fomos criados para ser. Percebemos como somos insignificantes, mas somos felizes por isso. Deixamos de lado aquela sensação de auto-suficiência como naqueles momentos que você está deitado em um gramado observando as estrelas e imaginando como é a vida do outro lado. Depois desse momento, o Louie pediu que nós fossemos embora em silêncio pensando no que Deus tinha dito a cada um e sobre o que havíamos aprendido. Você consegue imaginar 22 mil estudantes saindo de uma arena de hockey em completo silêncio no frio (abaixo de zero) de Atlanta? Os únicos sons era mo as passadas e o vento cortante. O som das vozes dos amigos foi trocado pelo silêncio. Como no momento em que Elias estava na montanha e ouviu Deus em um sussurro. O povo de Deus se calou no Passion para curtir a Deus.

John Piper falou sobre Deus ser comprometido com a própria glória. Ao ouvir isso a primeira vez, parece que Deus é um egomaníaco que quer toda a atenção do universo para Ele. Mas o que acontece na verdade é que quando Deus recebe glória, nós recebemos alegria. Deus nos convida a dar-Lhe glória e experimentarmos o máximo da nossa alegria. Deus é glorificado em nós quando somos satisfeitos Nele. Andy Stanley falou do erro que os jovens fazem em pensar no que devem fazer e quem conhecerão antes de determinarem que serão. Passou sobre a passagem da Bíblia que fala que Daniel era inculpável, mesmo os homens da Babilônia tentando encontrar nele motivo para o acusarem. Passamos tempo demais decidindo o que vamos fazer e qual será o tamanho da nossa influência na cadeia social, porém nosso caráter nunca é posto em jogo. É sempre sobre fazer e nunca sobre ser e é por isso que tanta gente mal caráter possui alguma posição de influência e tantos escândalos sexuais aparecem por aí entre o mundo dos famosos. O caráter de alguém sempre influenciará a esfera social e a vida profissional. Tudo é influenciado por quem você é.

Quero contar do momento que Deus mais falou comigo. Quem é do meu ciclo mais próximo sabe o quanto sofri em 2009 e não precisava ser muito inteligente para ver a tristeza estampada na minha cara. Francis Chan falou sobre o GPS que havia ganhado a pouco tempo. O GPS é um aparelho que nos leva sempre ao nosso destino e ele explicou que amava a voz da mulher que o guia pelas ruas pelo fato de que ela nunca fica louca quando ele erra o caminho. Se fosse uma mulher de verdade, ela diria “por que você nunca me ouve?”. Mas quando você erra, ela simplesmente diz “Recalculando”. O GPS é como o Espírito de Deus que diz “Recalculando” quando você toma a rota errada. Ele não grita com você e pergunta “O que você está fazendo?!?!?!?!?”, simplesmente diz “Recalculando”. Ele diz “chegaremos lá… pode demorar um pouco mais porque você se desviou da rota principal, mas nós chegaremos lá. Você tomou alguns caminhos errados ultimamente, tomou algumas rotas que eu gostaria que você não tivesse tomado, mas juntos chegaremos ao destino final, Eu levarei você lá”. Foram palavras de Deus ditas para mim, eu sei. Eu poderia esvaziar a arena, sentar de frente para o Francis. Foram tantas coisas que aconteceram nesses últimos tempos que eu não percebi o quanto meu sofrimento foi me aprisionando… Cheguei ao ponto de odiar e evitar a pergunta “você está feliz?”. Porque a resposta era sempre aquela que as pessoas não esperam ouvir e é sempre precedida da eterna pergunta “por que?”. Nesses dias eu ouvi Deus dizer-me “Leo, eu sei que você fez umas decisões idiotas, tomou alguns caminhos errados, mas deixa Eu te colocar de volta na rota correta. Recalculando. Vai demorar um pouco mais, nós precisamos consertar umas coisas em você, mas chegaremos lá, filho”. Depois de ouvir essas palavras eu pude levantar as mãos para o céu de novo e dizer: estou feliz.

Volto para casa feliz. Caminho apaixonado com essa felicidade e essa paixão pela Glória de Deus e para que todos os povos conheçam a Jesus Cristo, Salvador do mundo.

Passion começa agora, no dormitório estudantil, na minha universidade, na minha igreja, na minha casa, na minha comunidade.

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Diário de Bordo – Paraguai Pt. 2

À tarde demos uma volta na cidade e fomos até um centro poliesportivo em ótimo estado. A única coisa tensa era o banheiro. Manja quando você entra no banheiro e a privada está marrom de tão suja? Então, esse era o estado da pia.
Voltamos ao hotel para tomar um banho e dar uma refrescada e depois retornamos à escola para assistir algumas apresentações de dança paraguaia e o rapaz do teclado tocou a música do Kiko de novo.

A apresentação foi legal e o pessoal do Brasil também cantou uma música em português. Teve também uma dança típica bem bonita
Apresentação terminada, todo mundo voltou para o hotel para tomar banho e ir para o culto. A igreja lá era bem bonita, bem cuidada e pequena. O clima de igreja pequena é bem gostoso porque todo mundo se conhece e se cumprimenta. É uma das coisas que faz falta em igreja grande, a sensação de comunidade. O que mais me marcou durante o culto foi que em um momento de louvor todos começaram a dançar uma música de mãos dadas girando. É uma inocência tão gostosa e tão difícil de ver hoje em dia. Fico pensando se não esse tipo de atitude que Jesus fala quando diz que devemos nos parecer com as crianças.
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Culto terminou, fomos comer alguma coisa. Durante o jantar, a galera do Brasil teve um ataque “hablando español”, até se cantou um funk do “si, pero no mucho”. Aprendi a dizer “Dios bendiga a los ancianos” e “soy alérgico a los crustáceos”
Agora, passear. A cidade é bem legal, bem simples e bonita. Pense naquela cidade de interior que não é muito rica, mas é bem cuidada. Passamos em um festival que de imediato me fez recordar do festival da boa vizinhança. Havia por lá uma espécie de quiosque da coca-cola, porém me frustrei por não ter achado uma latinha do refrigerante por lá. E procurei bastante, mas parece que eles não bebem em latinha lá naquela cidade. Vale lembrar que tudo isto, todo este passeio foi feito na caçamba de uma caminhonete. Vida de aventureiro. Passeio terminado, back to the Hotel, hora de dormir, pois retornaríamos ao Brasil no dia seguinte.
O dia de volta foi aquela coisa básica de fim de viagem, todo mundo com as malas do lado de fora do quarto e com cara amassada. A volta de Concépcion até Ponta-Porã foi em um ônibus quebra-costas. Foi difícil voltar naquilo, três belas horas que pareceram dez. E o ônibus não tinha AC.
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E na volta, fiquei sabendo que iríamos passar no Shopping China, um grande mercado que vende tod o tipo de coisas, eletrônicos, videogames, chocolates, bebidas, lentes para câmeras, roupas, bolsas, etc. Antes da viagem, meu pai me perguntou “Leo, você não quer dinheiro? No Paraguai as coisas são bem baratas” e eu respondi “Relaxa, pai, nós nem vamos ter tempo de parar, vai ser uma viagem de trabalho voluntário”. Sabe quando você pensa “M*RDA!!!!”? Foi um desses momentos.
Almoçamos no shopping e eu aproveitei para comprar meu PS3, já o queria havia tempos. O pessoal que foi para a aldeia indígena apareceu também, nós nos encontramos pelo shopping, mas só fomos conversar mesmo na volta no ônibus. Fomos para a receita declarar os bens, porém a receita estava fechada. Isso eu acho um absurdo, você só pode comprar suas coisas até as 16 horas nos domingos e feriados, depois disso não é possível declarar bens. E se a policia parar, azar o seu, é propina ou bens apreendidos. Mas a lei é difícil mesmo.
Enfim, saímos de volta para São Paulo e vou dizer que esse último trecho tenha sido uma das melhores partes da viagem. Tirando que o ônibus parecia que tinha ficado mais apertado na volta e que o banheiro quebrou e dava para sentir o odor dele penetrando no fundo da alma e destruindo a alegria de meu ser (até ofereci pagar R$ 10,00 para quem respirasse fundo nesse momento). Mas a parte legal foi conhecer o pessoal que foi para a aldeia indígena. Tinha gente que eu mal havia visto e já me sentia na liberdade para brincar e deixar que zoassem comigo também. Jogamos cidade dorme, um jogo legal que lembra máfia, demos risada, conversamos sobre teologia. Uma das partes que mais gostei de conversar foi sobre teologia, é legal ver que ainda existem crentes pensantes e não um monte de alienados. Aprendi umas coisas super interessantes sobre artes, sempre achei a arte pós-moderna sem sentido e que qualquer pessoa fosse capaz de fazer, mas um amigo explicou um pouco sobre isso e eu entendi que não é qualquer um que é um bom artista.
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Rolou evangelismo também e eu acho surpreendente como evangelismo é uma coisa cansativa. É uma coisa muito espiritual mesmo, duas horas de evangelismo são mais cansativas que 8 horas trabalhando no campo, conforme um estudo que vi sobre isso. Charles Finney foi um grande evangelista e na sua última semana de ministério evangelista ganhou 180 mil pessoas para Cristo e ele afirma ter sido essa a semana mais exaustiva da vida dele. Rolou também uma conversa sobre islamismo e tenho aqui a manifestação de um missionário de Alá entre nós:

Parte do trajeto tentei dormir um pouco, mas a condição da estrada estava horrorosa e eu senti que a coluna ia rachar. A volta foi um momento cheio de risadas e em algumas horas aprendi é possível amar e se importar com gente que eu mal conhecia há pouco mais de três dias. Aprendi que posso orar por pessoas sobre as quais não sei absolutamente nada e gostaria muito de saber muito. Tenho saudades de absolutamente tudo e todos e meu único arrependimento é não ter feito uma viagem mais comprida.
Chegando em casa, pelo menos me senti bem vindo pelo meu cachorro.
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Realidade machuca às vezes.

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Diário de Bordo – Paraguai – Pt. 1

Sabe, eu sempre quis fazer uma viagem missionária, mas nunca tinha dado certo; sempre me pegava preso ao trabalho e meus chefes nunca foram compreensivos quando o assunto é deixar as tarefas do cotidiano para fazer um serviço puramente voluntário. Eu não condeno, normalmente os religiosos começam a atacar dizendo “como assim? É um serviço santo e espiritual!!! Seu chefe não entende, que Deus lhe dê misericórdia…”. Eu não julgo chefes que não podem liberar seus funcionários, afinal de contas todos os cristãos tem que trabalhar, já diziam Calvino e Paulo. E quem disse que o trabalho missionário é santo e espiritual e o trabalho secular é profano? Tudo é espiritual. Gosto do que Rob Bell diz a respeito disso, ele fala que em hebreu a palavra espiritual não existe, pois para o judeu não havia sentido de algo espiritual e não-espiritual, pois tudo é espiritual. A única diferença é se os seus olhos estão abertos ou não para isso.
Bem, a viagem começou na quinta-feira, 8 de outubro de 2009, no Mackenzie Tamboré. Nosso ônibus deveria ter saído às 20:30, porém como todo evento presbiteriano (pelo menos todos aos quais compareci), na hora marcada não estava lá. E o Mackenzie Tamboré é conhecido por sempre estar frio; parece que há uma bolha que envolve o local e ninguém estava muito bem preparado para esperar no frio. Acabamos esperando pouco mais de uma hora, até que o ônibus chegou. Quando entramos no ônibus, dei logo de cara com um monte de gente que não conhecia e imaginei que fossem todos do Mackenzie de São Paulo. A galera meio quieta, imaginei que houvesse pouca gente que realmente se conhecesse lá, porém me disseram “você vai ver que em pouco tempo tá todo mundo conversando como se fossem velhos amigos”. Eu não botei muita fé nesse comentário. E estava errado. Algumas horas depois, já estávamos conversando sobre tudo e falando sobre o vídeo do “Pregando a Briba” onde o “pregador” diz frases inesquecíveis como:
– A Briba diz que Isac apresentô morto com Cristo
– Ali a Briba fala que Mozés cheiro do poder do espírito de Deus. A briba fala que Mozés bateu com a vala no… bateu com a vara no má. E o má se abriu. Irmão, ali a Briba falô para Mozés: Mozés, Moshé, Moshé, erés Codó. Ali Deus unçô Mozés naquela hora e disse: Mozés, te aumilha na presença de Deus.
– Fala Senhor pra que teu cego ouça
– A Briba ali ali tobém fala, a Briba diz ali fala que Deus almou o mundo de tão maneira que deu seu filho ali gêmeo para todos aquele que crê é a vida eterna
– Ali Deus Pedro chamô, filho do truvão. O nome Pedro e Thiago filho do truvão, filho du da bença.
– Ali Deus tobém falô para Davi: Cego meu, seja banani comigo

Eu acho que ainda verei esse vídeo o resto da minha vida e continuarei dando risada dele. É isso que dá, 25 horas dentro do ônibus, começam os ataques de bobeira. Uma das coisas mais difíceis no ônibus foi dormir enquanto a galera batia um papo teológico lá no fundo e eu queria ouvir.
Foram diversas paradas na estrada, umas para comer alguma coisa, umas para aliviar o joelho e o ventre. A parada principal foi na Missão Caiuá, uma base missionária que trabalha com indígenas. Nós pretendíamos tomar café da manhã lá, mas chegamos ao meio-dia então o café se tornou almoço. Não deixou de ser gostoso, já conversei um assunto interessante com um pessoal do ônibus lá na mesa do café. Depois, fomos visitar a missão. Aliás, fazia um calor danado. Marcos Botelho tem uma teoria que o inferno fica lá perto da Guiana Francesa, porque quanto mais se sobe, mais quente fica. Estava MUITO calor, imagina se subíssemos mais um pouco.
É um lugar bem legal, varias casas, um hospital, uma ala para crianças desnutridas, mas o que mais me chocou nessa área foi um cachorro desnutrido.
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Pobre animal.
Também sentamos e louvamos a Deus um tempinho, é sempre bom louvar e adorar o Criador do Universo, apesar de que nunca O louvemos ou louvaremos como Ele merece.
De volta ao ônibus, a conversa já fluía melhor com a galera que estava conosco, sempre jogando conversa fora, comendo besteira e dando risadas. Quando é que o corpo de Cristo é mais Corpo? Nessas horas ou na igreja?! Veja aqui um videozinho da brincadeira:

Fomos até Ponta-Porã e lá nos separamos da maior parte da galera que estava no ônibus, 32 pessoas foram para uma aldeia indígena e 12 (eu, incluso) para o Paraguai. Fomos até um postinho pegar o “permiso”, documento que permite a estada no Paraguai e depois fomos pegar outro ônibus para Concépcion, o destino final.
Mas… perdemos o ônibus. Foi tudo tão repentino, eu mal vi o que aconteceu, só me lembro que o pastor mandou eu subir em uma caminhonete de um pastor conhecido dele e eu sentei na caçamba, cabelos ao vento, pé preso nas caixas e meio atordoado da correria. Uma foto assustado:

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Alcançamos, afinal, o ônibus perdido. Era um ônibus daqueles de filme, velho, quebrado, azul cor de banheiro de escola de freira, cortinas vermelhas. Aquele tipo de ônibus que você espera encontrar um jegue com a cabeça para fora no último banco. E para piorar, o ônibus era leiteiro, parava de ponto em ponto para pegar gente. A viagem que deveria durar duas horas durou três e meia. E todos os paraguaios eram iguais, parecidos com o Evo Moralez (sei que ele é da Bolívia).
Chegando ao destino, paramos na escola onde a missão ocorreria e uma surpresa nos esperava: arroz e feijão com carne moída! Sabe quando você se sente agradecido demais por algo que nunca soube dar muito valor? Então, foi isso. Eu sinceramente nunca me senti tão feliz de comer arroz e feijão. Olha, nada melhor do que a comida brasileira. Já estive em muitos lugares, mas a comida brasileira é a melhor. Jantar terminado, fomos para um albergue para pernoitar e já iniciar o trabalho no dia seguinte, bem cedo. Chegando no hotel, vi a morte acontecendo: um cachorro enorme saiu de dentro do hotel, olhos ameaçadores, dentes afiados e prontos para matar. Mas ele não fez nada. Ainda bem que eu sou bem corajoso, NÉ?! Com minhas habilidades e muito furtivo, consegui tirar uma foto do predador um pouco depois dele optar por não dar o bote.
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Enfim, o albergue era um pouco empoeirado e minha rinite já começou a aparecer, mas graças a Deus não incomodou muito.
No dia seguinte, depois de 25 horas de ônibus e horas de sono, acordamos, café-da-manhã e mão na massa. Fomos para a escola e conhecemos uma parte das crianças e eles eram bem amorosos, bem simpáticos. Eu acho que usamos muito errado o termo “carente”. Nós chamamos pessoas pobres de carentes. E os ricos? Conheço tantos ricos afundados na própria grana que estão carentes de amor e compreensão. Enquanto as pessoas mais pobres são carentes de recursos, nós somos carentes de sentimentos, muitas e muitas vezes. Entramos na escola, teve uma pequena apresentação de todos os brasileiros que estavam lá para trabalhar e um dos paraguaios fez uma apresentação de teclado de uma música que parecia do kiko.
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Enfim, começamos a trabalhar e a escola estava em um estado bem ruim. Começamos pintando, mas foi difícil, pois as crianças ficaram tão animadas com a nossa presença lá que eles mesmo queriam trabalhar e não queriam deixar a gente fazer muita coisa. Saí de lá com a sensação que poderíamos ter trabalhado mais, mas mesmo assim foi muito gostoso.
Almoçamos lá também e a comida era muito boa. Descobri que sopa lá é uma espécie de bolo. E lá se toma o suco de uma fruta chamada pomelo, muito gostosa. A primeira vez que tomei, me imaginei bebendo suco de cogumelo e já senti o barato vindo. Mas ouvindo melhor, o efeito psicológico passou. Mesmo depois de termos comido, ficamos na mesa dando risada, conversando e se conhecendo. Esse tipo de viagem é muito gostoso porque conhecemos nossos irmãos e irmãs em Cristo que nem temos idéia de como são. É bom conhecer a família.

Continua…!

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Por que eu?

Por que eu? – Não consigo parar de me perguntar isso.

Recentemente, Deus foi muito bom comigo e pude fazer uma viagem pela Ásia e conhecer um pouco da China e do povo chinês. Passei por volta de um mês lá e posso dizer que foi a aventura mais maluca da minha vida. Tudo é diferente, é como se eu tivesse trocado de mundo.
Em primeiro lugar, como as pessoas são amáveis e preocupadas comigo, jovens que havia acabado de conhecer e não sabiam nada sobre mim, sobre o que eu pensava deles, sobre a minha família e tudo o mais, estes jovens faziam com que eu me sentisse em casa. Eu tive uma bela crise porque essa gentileza toda é algo que falta em nós, cristãos. As virtudes que Jesus quer no Seu povo apareciam em pessoas que nunca ouviram falar de Seu Nome. Isso mexeu comigo.
Fiquei pensando em como a Bíblia fala que nós somos predestinados por Deus e Ele nos escolheu de maneira totalmente incondicional. Por que Deus me escolheu?
A resposta é sempre aquela que permeia a maior parte dos cumprimentos do nosso povo cristão: Graça. Sempre graça. Eu simplesmente não sei porque Ele me escolheu, mas vivo na certeza de que fui pré-destinado por Ele e nada que façam ou que eu mesmo faça para mudar isso vai adiantar. Deus é gracioso.
Deus me ensinou muitas coisas também. Me ensinou como eu sou egoísta. Me ensinou como nós somos egoístas aqui do lado esquerdo do mapa por pensar que o nosso jeito é sempre o jeito certo de fazer as coisas. Na real, somos um bando de tolos. E Jesus escolheu um bocado desses tolos para chamar de servos e transformar-lhes o coração e as atitudes. E foi de graça mesmo.

Eu amo esse Jesus.

1 comentário

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Dubai Airport

umas fotos do aeroporto
aqui eh enormeeee e eu to mt cansadoooooo
(ps. o orkut é bloqueado daqui, não é autorizado pela legislação dos emirados árabes)

4 Comentários

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