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Caim e Abel – Você e…?

Uma das mais conhecidas histórias da bíblia é a história de Caim e Abel. É uma história chocante que mostra até onde a maldade humana é capaz de ir: um homem que mata seu próprio irmão.

A história começa quando Caim oferece um sacrifício a Deus. Abel faz o mesmo, porém a história relata que a oferta de Abel vinha do seu melhor. Como pastor, escolheu “as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho.” Enquanto o sacrifício de Caim é relatado como “uma oferta.” E Deus aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas Caim e sua oferta não foram aceitos. Ser rejeitado fez com que Caim se enfurecese.

E Caim, cheio de fúria e transtornado, mata Abel.

Mas antes do crime, Deus avisa a Caim que “o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo.” Essa história é lida e relida causando nojo, afinal de contas, quem mataria seu próprio irmão? Quem mataria seu irmão por inveja? Quem faria uma coisa dessas?

A resposta é simples: você faria.

Imagine um mundo onde não há consequências pelos seus atos perante a lei e o convívio social. Se você pudesse escolher matar alguém e não fosse punido, quem você mataria? O que nos impede de cometer crimes é a lei ou nossa vontade de não cometê-los?

No Evangelho de Mateus, Jesus expande a ideia de assassinato dizendo que aquele que irar-se contra seu irmão é culpado de assassinato. Na carta aos Efésios, Paulo ainda vai mais longe e diz que “quando vocês ficarem irados, não pequem.” Você pode irar-se, mas a partir do momento que sua ira se torna assassinato, você é tão culpado como se realmente tivesse cometido o crime. A inveja de Caim fez com que perdesse o controle de sua fúria. O próprio Deus veio a ele avisar que as coisas ficando sérias demais, mas Caim escolheu não ouvir. Caim escolheu abrir a porta ao pecado que batia insistentemente.

A história de Caim e Abel se repete todo dia. Quando um amigo ganha algo que você quer muito, a inveja toma conta e gradativamente o sentimento transforma a imagem dele em alguém não tão amigo assim. A garota ideal para você está com o alguém errado. Seu colega de trabalho foi promovido e você não. Na faculdade, há algum aluno com desempenho melhor. Quem dirige o carro que você quer? Quem tem a namorada que você gostaria de ter?

O pecado bate à porta. Ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo.

A história de Caim é a sua história. A pergunta que fica é: quem é o seu Abel?

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Deus e Frozen Yogurt

Hoje não foi legal. Não aconteceu nada de ruim em meu trabalho, também nada de bom. Mais de uma vez me perguntaram se eu estava bem. Eu estou, não aconteceu nada. Mas foi um daqueles dias difíceis de saborear. Parecia que o dia tinha gosto de cinzas… Logo que terminou meu expediente, foi ao Shopping perto do escritório comprar um Frozen Yogurt. Tenho descoberto um novo prazer em tomar esta sobremesa, gelada, gostosa e saudável. Pode me chamar de gordo, mas o Frozen Yogurt deu um “up” no fim do dia. Vim caminhando, comparando o decorrer do hoje com o sabor do frozen  yogurt até chegar em casa. Terminei logo que entrei no prédio, pensando em como Deus tem sido bom. Mesmo quando o dia não é fácil e sinto o peso do mundo nas contas, Deus é bom. Aquele sabor refrescante me fez lembrar de um Deus refrescante.

Os antigos professores da Torá tinham um costume de começar suas aulas com as crianças que vinham aprender pela primeira vez sobre a lei de Deus. Pegavam um pouco de mel, pingavam uma gota na mão de cada um dos pequenos para que experimentassem aquele doce sabor e lhes diziam “que a Palavra do SENHOR seja como mel aos seus lábios.”

E quando a palavra de Deus perde o sabor de mel?

Faz tanto tempo que observo pessoas que se aproximam de Deus com fatiga por causa daquilo que Deus diz que é certo ou errado. Vejo pessoas lendo a bíblia com tanto pesar, como se tudo que Deus quisesse fosse ruim e elas tivessem sempre opiniões melhores.

No livro de Êxodo, Deus liberta os escravos israelitas de um governo opressor do faraó egípcio e o povo celebra essa libertação com dança, música e festejando de uma forma que qualquer república da ESPM se sentiria diminuída. Deus os faz passar por um deserto e eles caminham no deserto por um longo tempo, chegando ao ponto de que o povo começa a sentir saudade da vida no Egito. Sentir saudades da vida de opressão e desespero. Certa vez, uma garota me disse “Deus quer demais de mim e eu sinto falta da vida que levava antes.” Por que a saudade do Egito?

Mais tarde, no livro de Mateus, Jesus diz “tomem sobre mim o meu jugo.” O jugo era uma ferramenta utilizada na agricultura por animais que aravam a terra, foi criado para tornar o trabalho mais leve. O jugo também era o conjunto de ensinamentos de um rabino, sua interpretação daquilo que a Lei dizia. E Jesus ainda acrescenta “meu jugo é leve.”

Aquilo que Deus falou não foi dito para que você fosse mais oprimido com novas responsabilidades, além do que você já precisa fazer. Se você enxergar a bíblia como um livro de obrigações, ela sempre terá gosto de cinzas. A bíblia é a história de que redenção é possível. Redenção é possível para nós.

Quando você sentir o peso do mundo nas costas, que a Palavra de Deus seja como Frozen Yogurt nos seus lábios. Porque a redenção é simplesmente saborosa.

P. S.: Caso você não goste de Frozen Yogurt, substitua por Häagen-Dazs ou sua sobremesa favorita e se delicie.

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E agora…? Sério, e agora?

Faz tipo meio século que não sinto vontade de escrever aqui. Na verdade não sei se posso qualificar por falta de vontade, acho melhor chamar de estabelecimento de prioridades. Minha prioridade ultimamente tem sido pensar.

Acontece que… arrumei um bom emprego, terminei a faculdade… e agora…?

Sério, e agora?

Por que a pressão de escolher uma profissão tão novo? Aos 17, 18 anos, você precisa ter bem estabelecido o curso que quer cursar, a profissão que quer exercer e precisa ser algo extremamente lucrativo. Ganhar direito é bom, mas até quando?  Meu mestre já dizia “De que vale a ao homem ganhar todo o mundo e perder a alma?” A sociedade joga em adolescentes o peso da decisão que afetará o curso de suas vidas para sempre. A escolha errada implicará numa vida mal vivida?

Achei que as coisas mudariam, confesso. Achei que com o fim da faculdade, eu me sentiria livre do estudos e da necessidade de aprender, a cobrança enorme por resultados. Mas a realidade é que o ambiente acadêmico é um prelúdio para a grande orquestra que há de vir. Se você se sente pressionado e cobrado na universidade, espere entrar no mercado de trabalho. Estudo, aprendizado, progresso, todos estes substantivos definem coisas boas. O problema é a presão de ser o melhor em tudo. Você constantemente escuta que precisa continuar senão será deixado para trás. Hoje em dia, existem vagas de trabalho que você não precisa falar inglês para exercê-las. Mas se falar, é um diferencial e será escolhido por essa habilidade. Na real… por que? Sério, qual é a lógica dessa decisão? Em minha humilde e inexperiente opinião, pessoas deveriam ser contratadas por suas atitudes em relação a um trabalho, não por terem estudado algo que provavelmente usarão. E todo mundo é capaz de aprender durante o processo. Por que é tão necessário saber tudo antes?

Estudei fora do país, aprendi outros idiomas, coloquei um esforço tremendo em terminar a faculdade com boas notas e fiz cursos diversos; na esfera profissional, iniciei minha carreira ainda no segundo ano de faculdade, estagiei duas vezes e agora estou em meu primeiro emprego efetivo. E não falo de um emprego ruim: é perto de casa, aprendo bastante, ganho bem, tenho poucos gastos, uma galera legal. Como todos os outros empregos, tem seus pontos negativos, mas quando paro para pensar mais a fundo, o emprego em si não é ruim. Os pontos positivos superam os pontos negativos.

E… a única coisa que não encontrei foi paixão no meu dia-a-dia. Exerço meu trabalho da melhor forma possível, mas não sinto meu coração bater mais forte nesse exercício. E ainda é mais desanimador quando converso com meus ex-colegas universitários. Respostas como “eu amo o que faço” e “não troco meu trabalho por nada nesse mundo” são tão comuns e não ajudam muito.

Eu quero procurar algo que eu gosto… mas onde…? Não posso simplesmente entrar e sair de cursos diversos, preciso ter responsabilidade e sabedoria no investimento do meu dinheiro. E se eu errar o alvo novamente?

E se eu tomei a decisão errada?

E se… nunca descobrir a tal chamada “vocação” que tanto falam por aí?

E se…. não conseguir mais sair dessa função/profissão que exerço que não me conquistou?

A vida agora se resumirá em uma profissão que não me dá prazer?

E agora…?

Sério, e agora?

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A pipa e o vento

–       Gabriel?

(…)

–       GABRIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEL!!!

–       Fala, Senhor, tô aqui!! Foi mal, tava cuidando dos preparativos para a sua viagem. Estamos todos muito animados.

–       Tudo bem. Você sempre soube que eu iria, rapaz. Não precisa ficar tão desesperado. Tudo vai dar certo, eu sei!

–       Há, vai ser demais!

–       Eu sei! Uma aventura e tanto, viu? Amigo, tenho que te pedir um favor, antes de embarcar. Preciso que você envie dois recados para mim. Anotei para que você não esquecesse. Imagina o que aconteceria com essas surpresas desavisadas.

–       Ok… ok.. mas o Senhor vai ter que me dizer quem são essas pessoas. Por ex, tem uma Maria aqui no meio. Quem é essa Maria? É aquela do João e da casa dos doces?

–       A noiva do José, lá de Belém, Gabriel. Não vá confundir isso!

–       Certo! Nossa, realmente, ela teria uma grande surpresa se eu esquecesse! Há, imagina que legal, ela acorda um dia e está grávida! E ainda por cima do Senhor!

–       Gabriel… foco, por favor.

–       Foi mal, Senhor! Tá, e o outro? Quem é esse tal de Zacarias?

–       O sacerdote.

–       Sacerdote? Ih, Senhor, seja um pouco mais específico.

–       É aquele marido da Isabel, aquele que sempre quis um filho.

–       O Senhor quer dizer que esse é O Zacarias?

–       Esse mesmo! Chegou a hora de responder a oração.

–       Mas Senhor… o tempo já passou, ele envelheceu…

–       E qual o problema?

–       Ah… Senhor, é que assim…

–       Assim…?

–       Ah, isso é meio constrangedor de falar com o Senhor.

–       Desembucha, Gabriel! Além do mais, Eu sei tudo. Não adianta não dizer. Mas você sabe que pode se sentir a vontade comigo para falar em qualquer assunto.

–       Bom… tudo bem, vou falar! É que assim… digamos… eh… ele já está bem velho… e…. bem, a pipa do vovô não sobe mais!

–       Ah, Gabriel.. você não conhece o poder do vento do Espírito?

Dedicado a todos aqueles que aguardam uma resposta mais rápida de oração e estão aprendendo a ver que o tempo do Senhor não é o nosso. Mas é sempre a hora certa =)

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Um mover de Deus

Já escutei muito essa expressão “um mover de Deus”. Normalmente, ela vem acompanhada de algo do tipo “estou esperando um mover de Deus” ou “quero ver um sinal”. E isso parece extremamente maduro, alguém que espera Deus fazer alguma coisa antes de tomar uma decisão importante. Só que já perdi a conta de como vi essa busca por sinais e maravilhas sendo usado de forma um tanto peculiar…

Há algum tempo atrás conheci um rapaz que me contava que não fazia nada de importante se não sentisse que Deus desse lhe desse um sinal. Não tentaria uma boa entrevista de emprego sem um sinal de Deus, não aceitaria uma boa oportunidade se Deus não lhe falasse. Inclusive, aceitava oportunidades um tanto quanto controversas (para não dizer erradas) quando tinha certeza que Deus lhe dava um sinal. Toda a sua vida era resumida a experiências “sobrenaturais” com Deus, nada que fosse comum era aceito por ele como Deus agindo em sua vida. Para ser Deus, tinha que fazer barulho.

Num desses últimos dias, desabou o céu aqui onde eu moro. Caiu a luz no mesmo dia do Culto de Ação de Graças. Mesmo sem luz, o culto foi feito com louvor e testemunhos. No momento da oração final, a luz piscou, ameaçou de voltar bem no momento que o pastor disse “Amém”. Depois escutei uma mulher dizendo “vocês viram que a luz quase voltou na hora do amém?” Minha resposta (irônica, confesso) foi “Verdade, pena que a fé do povo não foi forte o suficiente” – meus amigos olharam para mim com uma cara de “Você é louco?!”.  O problema é que, se assumirmos que Deus se manifesta somente no sobrenatural, deixamos de ver Deus manifesto no comum e no ordinário. Deixamos de ver Deus no sorriso de uma criança ou no calor de uma tarde de outono, só vemos um Deus que se manifesta por meio de trovões. Enxerga-se o milagre errado: o milagre é o povo de Deus que não deixa de prestar culto a Ele, mesmo sem eletricidade e não no fato de que a luz piscou. Às vezes a luz pisca. Coincidências acontecem.

Volte ao primeiro livro da bíblia e veja: Deus traz à existência a todo o universo, usando e abusando de toda a Sua criatividade. Foi como uma explosão de cores, formas, ideias e vida. Quando a termina, coloca o homem em um jardim e lhe entrega uma lista de coisas: cuidar do jardim, plantar sementes e fazer com que cresçam (responsabilidade ambiental não é coisa nova), fazer sexo com sua esposa e povoar a terra. As funções são tão comuns que deixamos de enxergar que ele tinha um emprego e uma família, assim como a maioria dos homens nos dias de hoje. Deus criou este mundo com princípios comuns: um objeto solto no ar cai, colocar a mão na água fervendo queima, comer comida mexicana (pelo menos no meu caso) demais causa problemas intestinais.

Deus se manifesta por tantas vezes no Antigo Testamento: por meio de fogo no céu, no arbusto em chamas, dentro da fornalha como anjo, fala por meio de uma mula. Mas sua maior manifestação foi como homem em Jesus Cristo. Um homem que fez muitos sinais sim, mas que trabalha muito mais no caráter do que na aparência. Seus ensinamentos eram ensinamentos de uma vida cotidiana: se alguém abusar de você, dê-lhe a outra face; pague mal por bem; seja gentil; perdoe; arrependa-se; ame. Jesus andou sobre as águas, mas não esqueça que andou muito mais de barco.

O Senhor é Deus dos sinais. Ele pode sim enviar sinais a você e não vejo nenhum mal em buscá-los. Talvez no seu caso específico, você realmente precise ver algo mais forte, um empurrãozinho divino. Mas não perca as oportunidades por isso. Esse mundo não é feito de sinais. Esse mundo é feito de princípios, criatividade, forças, coincidências. Talvez seja esse o mover de Deus que você não está enxergando.

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Evangelismo pela culpa

Foi há quase três anos atrás. Para ser mais exato, 2 anos e 8 meses. Fevereiro de 2008 foi quando Deus me salvou, eu viajei a um acampamento desses de igreja e não tinha ideia que as coisas jamais seriam as mesmas, sei que muitas vidas são marcadas por aquele tipo de momento “divisor de águas”, mas nunca havia imaginado que  o meu divisor seria uma cruz. Havia passado por diversas igrejas em toda a vida e cada uma com interesse ou motivação diferente.

Fui à Igreja Católica por anos, porém por pura obrigação familiar. Como bom filho e neto de portugueses, a Igreja Católica e as peregrinações a Fátima sempre marcaram nossas conversas. Inclusive o nome da minha mãe é o nome da santa. Fui a algumas igrejas evangélicas por causa de algum casamento de algum amigo da família. Aos 17, fui a uma Igreja Batista porque estava interessado em uma garota, para passar a imagem de bom rapaz era algo que me submeti a fazer. Lá me falaram para aceitar Jesus e eu aceitei, me pareceu um Ticket atraente e porque não dizer sim? Não entendi nada, mas segui o fluxo.

Aos 18, fui pela primeira vez em uma igreja chamada extremamente conversadora, lar de algumas pessoas bem intencionadas sem dúvida, mas também senti que toda vez que passava pela porta regressava alguns séculos no tempo. E também ouvi coisas como pessoas mal vestidas não são bem vindas ao “templo”, visitar Deus exigia as melhores roupas, homens devem ficar separados de mulheres, não deveria estudar a Bíblia porque tudo deveria vir do Espírito, a partir do batismo tudo era perdoado e tudo antes disso era permitido e por aí vai. Bizarrices a parte, o que mais me marcou não foi o fato de que essas pessoas pareciam vindas de outro século no qual mostrar o pé era considerado vulgar. O que mais me marcou foi a hipocrisia. Falava-se em amor, mas a exclusão social dos descrentes e “pagãos” era praticada. A diversão do “mundo” era mal vista e julgada, mas a diversão santa era a fofoca. A mesma pessoa que pregava sobre vestir um tipo de roupa somente era vista usando a vestimenta que condenou. Cristo crucificado era tema extremamente comum, assim como pessoas eram crucificadas diariamente pela maneira de se vestir, de falar, pelas companhias que haviam escolhido e até mesmo pelas escolhas “seculares” e “carnais” de vida e carreira profissional.

Já havia ido à igreja tantas e tantas vezes, mas nunca significou nada ouvir falar em Jesus, palavras não me balançavam quando o que ouvia divergia tanto daquilo que via.

Daí, em meio a uma crise familiar, fui convidado para ir a um acampamento. Não tinha nada a perder, afinal de contas uma viagem sempre vai bem. Agüentar os cultos não era nada em comparação com ter de agüentar o clima de casa. No acampamento, jovens de todas as idades riam e se divertiam, jogando truco, futebol, pulando na piscina, conversando e dando risadas. E o mesmo evangelho de sempre era pregado, um “blábláblá” de perdão.

Só que dessa vez algo chamou minha atenção. Fiz amizade com um casal e eles eram bem divertidos, engraçados e acolhedores. Mas o que mais roubava meu foco era que não eram hipócritas. Conversávamos de tudo, eles abraçavam sem julgar, dávamos risadas juntos, jogávamos, comíamos e não fazíamos nada quando não tinha nada para fazer. E creio que isso nunca passou pela cabeça deles, mas o fato de não terem me julgado, tentado me convencer a aceitar Jesus ou insistirem com qualquer bate-papo religioso sobre salvação fez toda a diferença. Eu já sabia tudo isso e no meio de uma crise familiar eu precisava de amigos, não de fórmulas mágicas me ensinando a entrar no céu. Era natural. E como ouvi nesse sábado do meu pastor, a graça se manifesta na desgraça. Quando precisava de apoio familiar encontrei e Deus quebrou meu coração assim à convicção, arrependimento e salvação.

E são tantas as vezes que se fala na igreja sobre Evangelismo com um tom de culpa. Coisas do tipo “seus amigos vão para o inferno e o que você está fazendo para mudar isso?”, versículos fora do contexto e cultos onde a mensagem é precedida por fotos de missionários segurando crianças famintas de nações empobrecidas contrastando com você, segurando seu computador e lendo seus e-mails. Infelizmente, Satanás usa a culpa para destruir os sonhos dos filhos de Deus. São tantos aqueles que desistem dos sonhos para suas igrejas, cidades e realidades por causa da culpa infligida pelos seus próprios líderes.

São tantos os relatos que ouço de amigos sobre como gostariam de pregar mais o Evangelho e não conseguem e muitas vezes creio que não entenderam a essência.

Deus deu dons, personalidades e temperamentos diferentes a pessoas diferentes. São tantas as passagens da Bíblia que falam sobre testemunhar o Evangelho diariamente com todas as nossas atitudes. O conteúdo é sempre o mesmo, mas o erro é crer que o formato também é. O cristão erra em limitar o que Deus não limitou, pois a sabedoria de Deus é loucura para o mundo, Deus utiliza as formas mais malucas para derreter corações congelados.

Nunca creia que a sua obrigação de testemunhar o Evangelho é isenta porque você não fala bem, Deus deu dons de criatividade, inteligência, escrita, liderança, discurso, acolhimento, generosidade e tantos outros aos seus filhos. Quando Jesus diz que seríamos testemunhas dele até os confins na terra, não significa somente lugares que você sabe que jamais visitará, mas significa que seríamos testemunhas nas universidades, no mundo acadêmico, nas empresas, no serviço público, na indústria, na biologia e no estudo de tartarugas, na medicina, no direito. Não há culpa, não há condenação e é na alegria que o Evangelho é vivido.

Que as pessoas sintam um pedacinho do céu em você assim como senti com aqueles amigos.

E que você venha a descobrir o que Deus pôs em seu coração para testemunhar da Salvação e que a culpa jamais o impeça de fazê-lo.

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Lugares Vazios

Comecei a graduação em Administração com ênfase em Comércio Exterior em agosto de 2006, 4 anos atrás. Conheci ótimas pessoas, revi outras que pensava não rever, comecei a falar com quem nunca imaginei que um dia seria meu amigo e também aprendi o que é o convívio com gente diferente. Conheci professores malucos nos quais claramente identificava prazer em acabar com um aluno e outros que entendiam de verdade o que é “liderança coach”. Vi algumas pessoas ficarem para trás, vi amigos demonstrando potencial que me deixaram de boca aberta e me estressei como se a minha nota fosse peça chave em alguma guerra nuclear. Fiz um trabalho de conclusão de curso com amigos que me custou boas noites mal dormidas, preocupando-me com o que aconteceria no dia da tão esperada apresentação.

No meu sétimo semestre, tive a oportunidade de viajar a Walt Disney World em um daqueles programas Work & Travel, trabalhar nas lojas de varejo da Disney e também morar com outros “Cast Members” – termo utilizado para definir quem trabalha na Disney, um membro do elenco. Havia apenas um preço: não me formaria com as pessoas que estiveram comigo. E claro que eu escolhi pagar o preço, a oportunidade valeria a pena para meu crescimento pessoal e profissional e para muitas risadas inesquecíveis com pessoas que me marcaram de uma forma ou de outra. Eu nem  pensei que não fazer festa com pessoas que eu conhecia há tanto tempo faria alguma diferença, simplesmente era algo natural.

E ontem foi o primeiro dia na faculdade “sozinho”, fui dirigindo, estacionei o carro e fui caminhando em direção à sala em meio a um sentimento nostálgico e divertido ao mesmo tempo, resgatando memórias do que havia sido e não é mais não importa o quanto eu queira fugir da realidade. Cada banco, cada porta pela qual passava, cada degrau que pisava representava uma lembrança de um momento que se foi e nada, absolutamente nada conseguirá resgatar. Acabou.

Tudo isso me faz pensar em uma verdade valiosa: pessoas são especiais, não lugares. Lugares são vazios. As mais belas catedrais, prédios modernos, castelos antigos e monumentos entre as 7 maravilhas do mundo, todos podem tirar o seu folêgo, mas eles só ganham vida quando pessoas fazem parte deles, mesmo que seja só para desaparecerem na paisagem.

Entendi essa verdade valiosa ontem, minha faculdade pode ter ótimas instalações, um lugar privilegiado, mas sem as pessoas que fizeram do lugar um lugar especial, não passa de um poço de memórias que não importa quantas moedas eu jogue, o desejo de voltar a ser real não se concretizará. Toda vez que voltei de uma viagem que me marcou, eu costumava dizer “quero voltar”, frase que meu pai replicava “nunca será a mesma coisa, você vai ficar lembrando de como foi e vai se decepcionar porque não será a mesma coisa”. Ah, como ele estava certo… Hoje sei que nunca será, por mais que eu volte.

Em uma palestra sobre acolhimento, tive o privilégio de ouvir meu pastor dizer “igreja não é prédio, igreja é gente”. Hoje em dia, igrejas se encontram em cafés, salas de reunião, bares, baladas alugadas, hotéis, galpões, teatros, cinemas, ao ar livre e todo o tipo de lugar que você conseguir imaginar. E mesmo assim, tantas igrejas agem como se o “templo” de pedra fosse o Templo Judaico, um lugar sagrado, a liderança tenta transformar em sacro o que não passa de um prédio feito de pedras, um lugar morto. Colocam-se placas imaginárias que todos conseguem ler “aqui não se toca Rock, não se bebe água, não se entra de bermuda, não se fala palavrão, não se faz barulho”. A realidade é que não muda nada se alguém fosse pego fazendo sexo dentro do suposto templo ou se a mesma coisa acontecesse entre dois estranhos na faculdade. E sei que dói de ler porque já fomos muito bem acostumados a crer que o prédio é santo, não as pessoas.

Muitas igrejas se tornaram baladas na Europa e muitos perdem tempo pensando que os “ímpios blasfemam a casa do Senhor”. Imagine a sua igreja com outras pessoas que nunca viu: simplesmente não é o mesmo lugar. Por causa do valor e vida que um lugar ganha com as pessoas que ali estão. É comum ver pessoas que passam algum tempo em viagem missionária e retornam depois de alguns anos, elas dizem “é estranho, tudo mudou, tudo é diferente” – é porque as pessoas mudaram, novas vidas, novas faces, nova cara.

A igreja é viva. Você é o templo, você é a habitação de Deus, você está vivo.

Igreja é gente.


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